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Partido de Mugabe acusa chefe das Forças Armadas do Zimbabué de traição

O Presidente do Zimbabué Robert Mugabe.

Philimon Bulawayo

O partido do Presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, acusou esta terça-feira o chefe das Forças Armadas de "conduta de traição", depois de este lhe ter dirigido na segunda-feira um aviso sem precedentes.

Em comunicado, o partido presidencial, Zanu-PF, afirma que as críticas do chefe das Forças Armadas, o general Constantino Chiwenga, eram "claramente destinadas a perturbar a paz nacional (...) e demonstram uma conduta de traição da sua parte, já que foram feitas para incitar à sublevação".

Hoje, foram vistos vários tanques em movimento perto da capital, Harare, fazendo aumentar o clima de tensão e a preocupação dos habitantes, um dia após a advertência sem precedentes feita pelo chefe das Forças Armadas a Robert Mugabe.

A razão da presença dessa coluna militar não ficou imediatamente esclarecida, não estando o porta-voz do exército contactável, de momento, segundo a agência noticiosa francesa AFP.

Na segunda-feira, o general Chiwenga condenou a expulsão do vice-presidente do país, Emmerson Mnangagwa, na semana passada, e avisou que o exército poderia "intervir" se não acabasse a "purga" dentro da Zanu-PF, no poder desde a independência, em 1980.

Mnangagwa, de 75 anos, há muito considerado o delfim do Presidente, foi humilhado e demitido das suas funções na semana passada e fugiu do país, após um braço-de-ferro com a primeira-dama, Grace Mugabe, de 52 anos.

O antigo vice-Presidente era visto como um dos mais fiéis discípulos de Mugabe, tendo trabalhado ao seu lado durante mais de 40 anos, e tinha ligações estreitas com os militares.

Grace Mugabe, figura controversa, conhecida pelos seus ataques de cólera e dirigente do braço feminino do partido do marido, tem muitos opositores no partido e no Governo.

As declarações do chefe das Forças Armadas parecem visar os esforços cada vez mais ostensivos de Grace Mugabe para se aproximar do poder e criticar publicamente os seus opositores, entre os quais Mnangagwa.

Com o afastamento deste, ela fica na posição ideal para suceder ao marido, de 93 anos, que, apesar da idade avançada e da saúde frágil, foi nomeado pela Zanu-PF como candidato às eleições presidenciais de 2018.

Lusa

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