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Saída dos EUA do acordo de Paris é "uma vergonha"

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O ex-secretário de Estado norte-americano John Kerry considerou esta terça-feira "uma vergonha" a decisão do Presidente Donald Trump de retirar os Estados Unidos do acordo do clima de Paris, garantindo que o povo não acompanha esse gesto de "autodestruição".

"É uma vergonha, se olharmos para os factos, para a ciência, para o bom senso e para todo o trabalho que foi feito" para chegar ao acordo firmado em 2015 para limitar o aquecimento global, afirmou Kerry à agência France Presse à margem do "One Planet Summit", que decorre em Paris.

No seu discurso, declarou que "Donald Trump pode ter-se retirado do Acordo de Paris, mas o povo americano não", acusando o Presidente republicano de ter feito "um gesto de autodestruição com um objetivo político".

Kerry apontou que várias das principais metrópoles e estados norte-americanos mantêm o seu compromisso com o objetivo de limitar o aquecimento global.

O governador da Califórnia, Jerry Brown, afirmou que não se pode estar "à espera que a Casa Branca acorde", defendendo que têm que ser os americanos a agir.

Nos Estados Unidos organizou-se uma coligação de associações, empresas e organizações da sociedade civil chamada "America's Pledge", que já tem 1.700 membros, segundo o presidente da câmara de Nova Iorque, Michael Bloomberg, e que representa "mais de metade da economia americana".

A reunião de líderes mundiais na Cimeira Um Planeta (One Planet Summit) hoje em Paris é uma iniciativa do Presidente francês, Emmanuel Macron, para assinalar os dois anos do Acordo de Paris para o clima e junta mais de 50 chefes de Estado e de governo, como o primeiro-ministro português, mas também o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.

Lusa

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