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Mais de 5 mil crianças mortas ou feridas na guerra no Iémen desde 2016

Criança iemenita num campo de refugiados no noroeste do país

Mohamed Al-Sayaghi / Reuters

Mais de 5 mil crianças morreram ou ficaram feridas no Iémen desde a intervenção da coligação árabe no país, em março de 2015, e quase todos os 11 milhões de menores precisam de ajuda humanitária para sobreviver, alerta hoje a Unicef.

Num relatório intitulado "Nascido na guerra", o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) explica que mais de metade das crianças iemenitas não tem acesso a água potável ou a saneamento adequado.

Estima-se que quase dois milhões de menores (1,8 milhões) estejam desnutridos, incluindo 400.000 que sofrem de desnutrição severa aguda e que, literalmente, lutam diariamente para sobreviver, acrescenta a Unicef.

"Uma geração inteira de crianças no Iémen só conhece a guerra. A desnutrição e a doença são generalizadas, porque os serviços básicos colapsaram", denunciou a representante da Unicef no país, Meritxell Relano.

"Os que sobreviverem terão de carregar as feridas físicas e psicológicas do conflito para o resto dos seus dias", acrescentou.

A esta situação desesperada junta-se a epidemia de cólera que já afetou mais de um milhão de pessoas, um quarto das quais menores de cinco anos.

Outro problema são os casamentos infantis, usados como medida de sobrevivência.

A Unicef estima que três quartos de todas as raparigas se casem antes dos 18 anos.

Cerca de dois milhões de crianças não vão à escola, incluindo meio milhão que tiveram de abandonar as aulas quando o conflito se agravou com a intervenção da coligação árabe liderada pela Arábia Saudita para travar o avanço dos rebeldes huthis.

No final de 2017, 256 escolas estavam destruídas, 150 ocupadas por deslocados internos e outras 23 por grupos armados.

A Unicef pede às partes em conflito, aos que têm influência sobre elas e à comunidade internacional para que encontrem uma solução política que acabe com a violência.

Enquanto isso não acontece, a agência das Nações Unidas recorda a obrigação de cumprir as leis internacionais e permitir pleno acesso da assistência humanitária a toda a população.

Em setembro de 2014 os rebeldes huthis (chiitas) depuseram o Presidente Abdo Rabu Mansur Hadi, que fugiu para Riade.

Em março de 2015 constituiu-se uma aliança de países árabes e sunitas, liderada pela Arábia Saudita, que luta para derrotar os huthis e voltar a colocar Hadi no poder.

Mesmo antes do início do conflito, o Iémen era o país mais pobre do Médio Oriente e um dos menos desenvolvidos do mundo, importava 80% de tudo o que consumia e dependia fortemente da assistência internacional.

Lusa

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