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Polícia sul-africana prende três pessoas ligadas ao processo contra Jacob Zuma

James Oatway

Três pessoas foram detidas na sequência de buscas realizadas esta quarta-feira pelas autoridades sul-africanas na residência da família Gupta, que lidera um importante grupo empresarial, na África do Sul e que está alegadamente ligada ao chefe de Estado.

As buscas à casa da família Gupta ocorrem numa altura em que se espera uma decisão sobre o eventual afastamento de Jacob Zuma do cargo de chefe de Estado, após decisão transmitida pelo Congresso Nacional Africano (ANC), no poder.

"Três pessoas foram detidas e dois outros suspeitos são procurados pelos 'Hawks'", unidade de elite de segurança, disse hoje à AFP Hanqwani Mulaudzi, porta-voz da polícia sul-africana referindo-se à operação policial "Captura do Estado".

Um relatório judicial publicado em 2016, com o título "Captura do Estado", implica três irmãos da família Gupta em assuntos do Estado como a nomeação de ministros e pressões para a obtenção de contratos públicos. O relatório da procuradora Thulio Madonsela acusava o presidente, além de outros membros do aparelho do Estado, de ilegalidades na concessão de contratos públicos milionários.

Madonosela argumentava que os irmãos Gupta, com interesses em diversos setores, desde extração mineira, transportes ou comunicações, tinham o aparelho do Estado sob controlo e influência. O relatório incluía testemunhos e provas, como uma declaração do ex-vice-ministro das Finanças Mcebisi Jonas sobre como um dos três irmãos Gupta lhe ofereceu, na presença de Jacob Zuma, o cargo no governo, pouco antes da demissão do titular do cargo que ainda se encontrava em funções.

O caso causou um forte impacto na opinião pública sul-africana e, apesar de Zuma ter tentado bloquear o processo, a Justiça ordenou no passado mês de dezembro a abertura de uma comissão governamental de investigação.

Além do caso da nomeação do ministro das Finanças, Zuma está envolvido em vários outros processos de corrupção, como contratos de armamento ocorridos no final dos anos 1990. Um outro processo que data de 2016 obrigou o presidente a devolver meio milhão de dólares de fundos públicos que gastou de forma ilegal em reformas na residência privada.

A imagem de corrupção e de incompetência de Zuma transformou-se num problema interno do ANC, partido que governa o país desde o final do regime do apartheid, sendo que muitos membros da organização histórica sul-africana exigem há vários meses a demissão do chefe do Estado.

Por disciplina interna, os membros do antigo movimento de libertação, incluindo os elementos eleitos, estão teoricamente obrigados a respeitar as decisões do partido. Mesmo assim, e apesar da posição formal do ANC, Zuma não apresenta a demissão. O presidente pode ser também afastado por uma moção de censura parlamentar.

Lusa

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