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Mulheres na Síria têm de fazer favores sexuais em troca de ajuda humanitária

Campo de refugiados em Ain Issa, Síria

Erik de Castro / Reuters

Mulheres e raparigas na Síria têm sido vítimas de exploração sexual em troca de bens e comida provenientes de ajuda humanitária da ONU e ONG internacionais. A denúncia é feita num relatório da agência da ONU para a população, UNFPA.

Os alertas de abusos não são novos, há pelo menos três anos que os trabalhadores humanitários denunciam situações de abusos no terreno em que quem distribui ajuda, nomeadamente homens, exige em troca favores sexuais.

Apesar destas denúncias e alertas, casos destes são recorrentes e continuam a acontecer no sul da Síria, de acordo com os dados de 2017 agora publicados no relatório "Voices from Syria 2018" (.PDF), da UNFPA.

"Há exemplos de mulheres e adolescentes que se casam com responsáveis por um curto período de tempo para oferecer 'serviços sexuais' em troca de refeições; [casos] de funcionários que pedem os números de telefone de mulheres e raparigas; de ofertas de boleias até casa 'para receber algo em troca' ou de obter bens 'em troca de uma visita a casa das mulheres' ou 'em troca de serviços como passar a noite com elas'", revela o relatório.

As agências ligadas à ONU e instituições de caridade afirmam que não toleram nenhum tipo de violência ou exploração e defendem-se dizendo não terem conhecimento de casos concretos de abusos envolvendo os seus parceiros na região.

Em declarações à BBC, Danielle Spencer, trabalhadora de uma organização humanitária, garantiu que este tipo de sevícias é tão comum que algumas mulheres se recusam a ir aos centros de distribuição de ajuda humanitária.

Danielle Spencer trabalhava como consultora para assuntos humanitários para uma organização de caridade quando ouviu relatos de um grupo de mulheres sírias num campo de refugiados na Jordânia em março de 2015. Contaram a Danielle como os homens que trabalhavam para o governo local de Dara'a e Quneitra condicionaram a entrega de ajuda humanitária a sexo.

"Eles retinham a ajuda que lhes havia sido entregue para distribuir e usavam estas mulheres para sexo", relata Danielle Spencer à BBC.

"Acusações sem fundamento"

O porta-voz da agência da ONU para os refugiados (ACNUR) já veio afirmar que estas alegações não têm fundamento, mas garantiu que serão tomadas medidas para que situações destas não aconteçam.

Em conferência de imprensa hoje em Genebra, Andrej Mahecic sublinhou que é impossível para qualquer agência numa zona de guerra controlar toda a situação.

"É importante perceber que em qualquer situação de ajuda de emergência há o risco de abusos sexuais e exploração sexual. Abusar e explorar alguém que está a necessitar de ajuda é desprezível, desumano e algo que condenamos firmemente", afirmou Andrej Mahecic.

O dia-a-dia dos refugiados sírios nos campos de ajuda

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