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Luís Costa Ribas

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Luís Costa Ribas

Correspondente SIC nos Estados Unidos

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Trump quase venceu o dia 1 da Convenção Democrata

Luís Costa Ribas

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Correspondente SIC nos Estados Unidos

Michelle Obama: “Por causa de Hillary as minhas filhas acreditam que uma mulher pode ser Presidente”. Bernie Sanders: “Orgulho-me de estar ao seu lado. Com base nas suas ideias e liderança Hillary Clinton tem de ser a próxima Presidente dos EUA”.

Bernie Sanders salvou a convenção democrata dos seus próprios apoiantes, com um discurso firme de apoio a Hillary Clinton no termo de um primeiro dia caótico da reunião magna do Partido Democrático americano, marcado por ultraje devido à divulgação de milhares de e-mails que puseram em causa a imparcialidade obrigatória da máquina partidária durante as primárias. O staff da Comissão Nacional Democrata (DNC), fez troça de Sanders, coordenou um ataque contra ele através de um advogado da campanha Clinton e sugeriu que se usasse contra Sanders o facto der ser um judeu não praticante, logo, ateu.

A presidente da Comissão, Debbie Wasserman Schultz, foi vaiada num pequeno almoço com a delegação da Flórida e, para evitar a possibilidade de a convenção se tornar um circo, demitiu-se (com efeitos na sexta-feira), assumindo a responsabilidade política pelo incidente. Mas isso não travou a fúria dos apoiantes de Sanders que ameaçaram boicotar a abertura da Convenção, a cargo de Wasserman Schultz e tentar impedir a nomeação de Tim Kaine, candidato a vice-presidente oriundo do ala mais conservadora do Partido. Para que as coisas não piorassem, a líder do DNC prescindiu de qualquer função pública na convenção a 30 minutos da abertura desta.

Mesmo assim, durante as primeiras horas da convenção os apoiantes de Sanders vaiaram todas as referências a Hillary Clinton, chegando a interromper uma oração por ela, ao ouvirem o seu nome. De tal forma que poderia julgar-se que se travava de militantes de um partido adversário. Na verdade, Sanders e muitos dos seus apoiastes não eram sequer democratas no ano passando e não têm história nas fileiras do mesmo. Daí que, durante as primárias, sempre que as coisas não lhes corriam bem se queixassem do “sistema” em que queriam jogar mas cuja regras desconheciam e argumentassem que o DNC estava contra eles - criaram o mito urbano do “eles, que nos querem roubar a eleição”. Apesar de os e-mails não cometerem qualquer indicação de que o DNC impediu a vitória de Sanders (eles reportam-se aos meses de Abril e Maio, quando a vitoria de Hillary estava assegurada), nada os persuadia de que a vitória de Sanders não lhes foi “roubada” - até Sanders subir ao palco.

JUSTIN LANE

O ex-candidato deixou claro que Hillary é uma alternativa, “sem qualquer discussão”, muito preferível ao republicano Donald Trump. “Orgulho-me de estar ao seu lado. Com base nas suas ideias e liderança Hillary Clinton tem de ser a próxima presidente dos EUA”. Sanders explicou aos seus apoiantes que a derrota nas primárias não é o fim da jornada, tendido em conta que muitas das suas prioridades (redução da dívida dois estudantes universitários, reforma dos grandes bancos, aumento do salário mínimo) foram assumidas por Hillary. Sem vaias, nem apupos.

Antes de Sanders, um discurso emotivo de Michelle Obama, “o discurso da noite que será lembrado durante muito anos”, atacou Trump e defendeu Hillary, sem vaias nem apupos. Criou um ambiente de unidade e intimidade e futuro. Combatendo as lágrimas, confessou que “por causa de Hillary as minhas filhas acreditam que uma mulher pode ser Presidente”. Contrariando Trump e a ideia de que a América está em declínio e é preciso torná-la grandiosa outra vez, Michelle Obama lembrou que "este é, neste preciso momento, o maior país sobre a terra. E no momento em que as minhas filhas se preparam para sairem para o Mundo, quero um líder merecedor dessa verdade”.

Lembrou, ainda, que o que a lavou aquele palco, nesta noite, é a história de “gerações de pessoas que sentiram a chicotada da escravidão, a vergonha da servitude, a dor da segregação, mas que com esperança e trabalho fizeram o que era preciso fazer para que eu hoje possa acordar numa casa construída por escravos”.

O dia acabou bem para os democratas. O que poderia ter sido um desastre e uma vitória para Donald Trump, acabou bem. Amanhã é outro dia, sem garantias de que a revolta dos “bernies” tenha sido definitivamente amainada.

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