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Luís Costa Ribas

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Correspondente SIC

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Hillary e o teto de vidro

Luís Costa Ribas

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Hillary Clinton viveu um dia histórico ao ver oficializada a sua nomeação como candidata democrata à Presidência dos Estados Unidos. “Não consigo acreditar que temos mais uma grande racha naquele teto de vidro”, disse Clinton utilizando uma expressão relacionada com as dificuldades de acesso das mulheres a cargos superiores, empresariais e políticos. "E se alguma menina ficou acordada até tarde para ver, deixem-me dizer que eu poderei ser a primeira mulher Presidente, mas uma de vós será a próxima”.

No ano do 240º aniversário dos Estados Unidos, e na cidade onde a independência foi declarada, essa meta que se cumpriu ajuda o país a cumprir-se, não por haver algo de particularmente especial no facto de uma mulher ser presidente, mas no facto de nenhuma ainda o ter conseguido. Desde 1872, quando Victoria Woodhull se candidatou pelo Partido dos Direitos Iguais, mais de sete dezenas de mulheres foram candidatas ou candidataram-se a candidatas. Mas Hillary é a primeira candidata viável.

Política veterana num ano de populismo e sede de mudança, Hillary foi descrita pelo marido, o ex-presidente Bill Clinton, como “a melhor agente de mudança que alguma vez conheci”. Num discurso intimista de cerca de uma hora, Bill Clinton falou dela como "incansável na busca de resultados”, cujo trabalho tem sido desfigurado pelas caricaturas que os adversários criaram dela. “Hillary nunca desiste, e vai levar-vos com ela no caminho para o futuro da América”.

“Esta é a verdadeira Hillary” que conhece desde 1971 e "dedicou a sua vida a tornar a vida dos outros melhor”, alguém que “nunca está satisfeita com o status quo”.

A nomeação foi saudada, no palco, pela actriz Meryl Streep, e pela cantora Alicia Keyes, após uma votação em que o rival de Hillary, Bernie Sanders, na conclusão da contagem dos votos pediu que a candidata fosse nomeada “por aclamação”.

O segundo dia da convenção democrata foi menos agreste do que o anterior, sem as vaias anti-Hillary e apupos saídos das hostes de apoiantes de Sanders, este com dificuldades óbvias em controlar o movimento que criou. Mas as dissonâncias no interior do pavilhão foram mínimas. Após a nomeação de Hillary Clinton, delegados que se descreve como “Bernie ou nada” saíram do pavilhão e sentaram-se no chão, no exterior, junto às todas da comunicação social, aparentemente inconformados com o facto de o seu candidato não er sido nomeado - o que seria normal por ter tido menos votos. Já fora da zona de segurança, alguns jovens radicais pró-Sanders protagonizaram breves incidentes com a policia, mas o ambiente nos interior foi de celebração da candidata que vai lutar com Donald Trump pelo direito de ocupar a Casa Branca.

Perseguem-na anos de má imprensa, acusações de escândalos, sondagens pouco favoráveis e teorias da conspiração, mas também muitos apoiantes indefectíveis. Esta quarta-feira à noite, a sua redefinição como mulher política e candidata prossegue com um discurso de Barack Obama, que a derrotou nas primárias de 2008. Michelle Obama, num discurso magistral, definiu Hillary comparativamente a Donald Trump (sem nunca mencionar o nome deste) como alguém a quem se pode “confiar os nossos filhos”. Restam mais dois dias de convenção, para tentar recriar a imagem de Hillary em quem, segundo as sondagens, 65% dos eleitores americanos não confiam.

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