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Santana Lopes e (ainda) o dilema de Belém

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Se há político que o país conhece bem é Pedro Santana Lopes. O agora Provedor da Misericórdia de Lisboa já foi autarca, secretário de Estado, primeiro-ministro, presidente do PSD, eurodeputado, deputado, vereador e até presidente do Sporting. De facto, PSL – como é conhecido nos meios políticos - já fez de tudo na vida pública, só lhe falta mesmo o lugar agora ocupado por Marcelo: a Presidência. E é aí que pode estar a chave para perceber a sua indefinição sobre as autárquicas do próximo ano. Um “nem sim nem sopas” que está a deixar o PSD de cabelos em pé e que começou a ganhar terreno no último congresso laranja com o célebre “Keep Cool” que quis deixar no ar.

Santana vai ou não concorrer a Lisboa? A pergunta não tem resposta pronta – nem confirmada -, mas arrisco dizer que a prioridade de Santana é Belém. Nas últimas presidenciais, com Marcelo na corrida, Santana percebeu a dificuldade e acabou por se afastar. Mas nada o impede de continuar a acreditar nas estrelas. Depois dos dois mandatos de Marcelo, em 2026, Santana terá 70 anos, nada demais se pensarmos que quando Cavaco assumiu a presidência, em 2006, tinha 67 anos. E Soares, quando se candidatou pela 2ª vez em 2006 tinha 82 (!).

Mas se o palácio cor-de-rosa é objetivo final, Santana Lopes só encara as autárquicas se for para ganhar – e há sondagens que não lhe trazem boas notícias. Não pode arriscar perder outra vez, como aconteceu em 2008 para António Costa. Somar duas derrotas seria muito prejudicial para o plano “traçado”. Já para não falar no lugar de Provedor que também acabaria por perder e que lhe é essencial nesta caminhada senatorial.

O problema é que enquanto durar este “keep cool” de Santana, o PSD está condicionado. Por um lado não capitaliza o descontentamento (evidente) com as obras de Fernando Medina – não há ninguém na arena para as rotular de “eleitoralistas”, nem para as questionar nos custos e impactos – e, por outro, se Santana optar por ficar em casa, o candidato que Passos escolher – Jorge Moreira da Silva? - será sempre visto como uma segunda escolha, uma solução de recurso.

Outra questão é se Santana será ou não um bom candidato. Fernando Medina tem pouco mais de 40 anos, Santana é de outra geração. Alguns podem pensar que este já não é o seu tempo, e até podem ter razão. Mas, mesmo tendo cometido erros, a sua experiência é inegável. E a sua popularidade, sobretudo quando comparada com Medina, também. Se a isto somarmos a obra que deixou em Lisboa – agora todos louvam o túnel do Marques! -, e o lastro que tem ganho na Santa Casa, acredito que pode baralhar as contas aos socialistas. Só não sei se chega para ganhar. E essa é a sua dúvida. Com um problema adicional chamado Assunção Cristas. Se a líder do CDS decidir mesmo testar-se na capital, pode causar mossa.

O PSD diz que tem o calendário controlado e que em outubro a questão autárquica fica fechada. Mas internamente a escolha para Lisboa não só tem mostrado falta de comando como está a dividir o partido: entre os que querem (muito) Santana e os que não havendo Santana se dividem entre José Eduardo Martins e Moreira da Silva – Marques Mendes acrescentou entretanto Maria Luís à lista dos candidatáveis. E pelo meio há ainda quem defende que a aposta mais segura do PSD seria apoiar a líder do CDS.

Quando em abril, no congresso de Espinho, Santana atirou o “Keep cool” fê-lo porque não gostou de ouvir o que corria nos bastidores: alguns laranjinhas já falavam nas vantagens de apoiar Cristas. Será que agora ao colocar essa hipótese o PSD não está simplesmente a tentar pressionar o avanço de Santana? Ao estilo ou vais tu, ou vai ela!

Santana Lopes está há meses em reflexão, e a verdade é que neste tempo foi mantendo a chama acesa e fez-se impor (ou tentou) como a única solução de vitória - qual bala de prata! Ou seja aproveitou para se ir inflacionando dentro e fora do partido. Tenho sérias dúvidas que se decida pela corrida autárquica, mas neste entretanto conseguiu que se falasse, e muito, dele. E isso em política vale imenso.

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