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Geringonça (quanto vale uma palavra)

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Não me surpreende. "Geringonça" é a palavra do ano. Escrita por Vasco Pulido Valente para classificar a solução das esquerdas, ganhou voz através de Paulo Portas e, como hoje se diz, tornou-se viral.

Colou-se à pele de um Governo do PS com uma "coligação" no Parlamento.

Ensinou-nos, na prática, que afinal não elegemos o primeiro-ministro, mas elegemos deputados que sufragam um primeiro-ministro.

Deu vida a uma regra que era letra morta. Mas que estava lá.

Costa, que acredita que as vacas voam e que é um "otimista irritante", no dizer do seu antigo professor, Marcelo, ofececeu, pelo Natal, geringonças aos seus ministros, que lhe aparam os golpes e têm conseguido manter a máquina a funcionar.


Mas, se até o próprio primeiro-ministro se refere à geringonça como... geringonça, estamos, então, a falar de quê?


De uma solução de Governo, via Parlamento - aliás, via reuniões sem fim entre Pedro Nuno Santos e os outros partidos, que discutem sempre com base em regras escritas em memorandos de entendimento assinados em finais de 2015 - que serve, claro, as "esquerdas".

Uma solução que cabe toda dentro de uma palavra, que é em si estranha, desengonçada, periclitante, confusa, instável, frágil.


O PSD espera ainda pelo diabo, o CDS tenta encontrar um novo caminho, o PS governa, Bloco, PCP e Verdes (ah! afinal eles existem, apesar de, como dizia Sócrates, nunca terem ido a votos...) ficaram reféns do PS. Ou será que foi o PS a ficar refém dos outros todos?


Confuso?

Tanto quanto pode ser uma geringonça.

E esta geringonça é, afinal, tática, estratégia, fuga para a frente, "golpe de Estado constitucional" ou a democracia parlamentar no seu esplendor? Coligação negativa ou legitimidade do voto direto e universal?

Há palavras que valem mais do que aquilo que parece.

Esta geringonça, a palavra, é um desses casos.


A outra, a geringonça dos "memorandos de entendimento", ainda tem de provar, ao País, a quem votou, a quem decidiu, que vai para além da palavra: estranha, desengonçada, periclitante, confusa, instável, frágil.

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