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Anselmo Crespo

Vai ser tão bom, não foi?

Anselmo Crespo

Anselmo Crespo

Editor de Política SIC

Eu também quero tudo. E o mais rápido possível. Quero que acabem com a sobretaxa. Pode ser para ontem? Quero deixar de dar ao Estado um terço do meu ordenado. Demora muito? Gostava de não pagar mais impostos só porque sou solteiro e não tenho filhos. Nada contra quem tem filhos, mas têm alguma coisa contra quem ainda não os tem? Quero descontar para a Segurança Social e não viver no pânico permanente de não ter reforma. É pedir muito? Quero deixar de atestar o meu carro e os cofres do Estado ao mesmo tempo. Hum? Que dizem? Gostava de não ter que pagar mais por ir de carro ao Porto do que pago por ir de avião a Madrid. Faz sentido? É muito? Não dá para ser tudo de uma vez?

Bismarck dizia que "a política é a arte do possível" e António Costa tem aplicado esta máxima como ninguém.

Não é possível ser-se primeiro-ministro ganhando eleições, é-se primeiro-ministro perdendo. Não é possível governar apenas com o apoio do Bloco de Esquerda? Governa-se com o apoio do Bloco e do PCP. Não é possível governar com o programa do PS, governa-se com o do Bloco e do PCP.

E agora? Será possível governar sem o programa de Bruxelas? Claramente, não é. Por muito que se discorde, por muito que se contestem as regras europeias e as incongruências de uma comissão que fecha os olhos a uns e os arregala a outros, por muito que se acredite que é possível bater o pé até lhes fazer tremer as pernas, não é possível, a qualquer Governo da zona euro, governar sem o programa de Bruxelas. Porque essa foi uma opção que Portugal fez há muito tempo e porque não é assim que se muda a Europa.

Ultrapassado o melodrama político, o mais provável é que o Orçamento do Estado para este ano passe. Em Bruxelas e no Parlamento.

Com mais ou menos medidas adicionais, António Costa encontrará um discurso que lhe permita defender essas medidas, responsabilizar o Governo anterior e, se possível, ainda cantar vitória pelas extraordinárias capacidades negociais deste Governo.

À Esquerda, não passa pela cabeça de ninguém chumbar o Orçamento. Não pode, é cedo, a reposição de rendimentos ainda não está a render os votos necessários e, neste momento, há várias cabeças no cepo. O resultado de tudo isto é triste.

A Comissão Europeia, que não aprendeu nada com a crise dos últimos anos, segue hipócrita, como sempre. Dura com os fracos, frouxa com os fortes, mas sempre com uma agenda política escondida que, até hoje, não produziu qualquer resultado benéfico.

O Governo de António Costa faz a fuga para a frente. Promete, reverte, devolve, repõe, tudo, a todos, já, imediatamente. O consumo interno fará o resto. Se as contas não baterem certo, aumentam-se uns impostos e puxa-se mais um bocadinho pela criatividade de Mário Centeno.

Anselmo Crespo

PS: Já agora, quero o Benfica campeão já este ano. Eu sei, eu sei, é o Rui Vitória, mas se pudessem dar um jeitinho? Muito agradecido.

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