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Anselmo Crespo

35 horas para ganhar... eleições

Anselmo Crespo

Anselmo Crespo

Editor de Política SIC

Tenho dias em que trabalho 16 horas. E tenho outros em que não trabalho as 7 a que estou obrigado por contrato. Depende. Depende do trabalho, do dia, depende da forma como preciso de conciliar trabalho com vida pessoal. As notícias não têm hora marcada e quem escolheu esta profissão não veio ao engano. Na minha empresa há flexibilidade e há trabalhadores flexíveis. Há sensibilidade e bom senso. De quem manda e de quem obedece. É por isso que tenho semanas de fazer 35 horas em apenas três dias. E tenho outras em que faço 40... em quatro. E sim, ao quinto dia, normalmente também trabalho.

Flexibilidade. A semântica é frequentemente traiçoeira e sempre que esta palavra é utilizada para falar do mercado de trabalho as leituras são invariavelmente as mesmas. Os sindicatos traduzem flexibilidade por abuso. Os patrões tendem a traduzi-la por produtividade. Lamentavelmente ambos têm razão. Os sindicatos têm razão porque há de facto empresas que, em nome dessa flexibilidade, usam e abusam dos trabalhadores. Alguns nem um ordenado condigno pagam, quanto mais pagarem por essa flexibilidade. Os patrões têm razão porque um mercado de trabalho com regras rígidas num mundo globalizado pode matar uma empresa. Pior. Pode matar uma economia. É por isso que lamentavelmente ambos têm razão.

Sensibilidade e bom senso. Não acredito que algum trabalhador deseje o insucesso da sua empresa. Porque quer manter o emprego. E porque tem a legitima ambição de evoluir, quer profissionalmente, quer financeiramente. Também quero acreditar (e o quero neste caso é importante) que os patrões preferem trabalhadores motivados, envolvidos e empenhados no sucesso da empresa. De outra forma, que sentido faz? Que sentido faz para um trabalhador sair da cama de manhã sem vontade de ir trabalhar? Que sentido faz para um empresário ter uma equipa desmotivada e que está apenas interessada em picar o ponto e receber o ordenado no final do mês? Nenhum. Qual é o segredo? Sensibilidade e bom senso. Sensibilidade do trabalhador que consegue compreender que há momentos excecionais na vida das empresas em que é preciso dar mais do que o contrato obriga. E bom senso do patrão para não tornar estas exceções em regra e saber recompensar devidamente o mérito.

35 ou 40 horas? É-me indiferente. E é-me indiferente por tudo o que expliquei atrás. Porque o que verdadeiramente me interessa é saber se a flexibilidade que me pedem é recíproca. Se o bom senso que me é exigido traz na volta a

sensibilidade necessária. Porque acho muito mais útil discutir produtividade e mérito, do que saber se a lei define mais cinco ou menos cinco horas de trabalho por semana. E, finalmente, porque não são essas cinco horas, a mais ou a menos, que vão aumentar um décima que seja à produtividade do país.

Ainda assim, a discussão está lançada e a maioria de esquerda prepara-se para aprovar o regresso das 35 horas para a função pública. Se assim é, tenho apenas uma pequena dúvida. Porquê só para a Função Pública? Que critério razoável justifica que um trabalhador do Estado tenha que trabalhar menos horas que um trabalhador do privado? Que lógica oculta é essa que explica que o legislador trate de forma diferente o que não é diferente? O trabalho de um funcionário público é mais valioso que o de um trabalhador do privado? Não é.

Promessas eleitorais. Acho muito bem que sejam cumpridas, convinha apenas que fizessem sentido, que fossem coerentes e não fossem apenas um crédito para eleições futuras.

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