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António José Teixeira

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SIC Notícias

  • Cavaco, o inimigo do Bloco Central

    António José Teixeira

    Em 1983, ainda antes de Cavaco Silva fazer a rodagem do seu carro rumo à Figueira da Foz, Portugal tinha umas finanças depauperadas e foi obrigado a recorrer ao FMI. Tinha ficado para trás um governo AD (PSD+CDS+PPM) e as eleições desse ano ditaram uma vitória do PS. As dificuldades ao tempo e a receita da austeridade aconselhavam um governo forte. Mário Soares percebeu isso e co-responsabilizou o PSD naquele que ficou conhecido como o governo do Bloco Central. O único que houve até hoje. Mota Pinto era o líder de um PSD minado, dividido. Não passou muito tempo até à sua resignação e súbita morte de ataque cardíaco. Rui Machete levou o partido a congresso e foi aí que Cavaco Silva surpreendeu João Salgueiro e lhe arrebatou a vitória que parecia certa.

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  • A charneira pode ser lugar de sacrifício

    António José Teixeira

    Impasse, dizem. Impasse? Pouco importa o canal, a palavra solta-se e repete-se sem pedir licença. Impasse na constituição do novo governo. Socorro-me do Houaiss para ver se me escapa alguma coisa. Situação aparentemente sem solução favorável, dificuldade insolúvel, beco sem saída... O substantivo parece estar a tornar-se adjetivo. Num primeiro olhar, o impasse será fruto da demora. Mas a demora tem pouco, ou nada, de impasse. Os timings para audição dos partidos e a indigitação de um primeiro-ministro seguem como é hábito. São longos, são. Toda a gente o sabe há muitos anos, muitos protestam, mas ninguém os muda. Por aqui, não há impasse. Só mesmo lentidão regimental. A tão criticada Grécia faz eleições e constitui governos em menos de metade do tempo...

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  • O óbvio, menos óbvio, disparates e imperfeições

    António José Teixeira

    Pois é. Passos Coelho tem razão. O PS perdeu as eleições e passou esta semana em tamanha ronda de contactos que até parece que foi ele que as ganhou. É óbvio que o Presidente da República se deixou ultrapassar. Menos óbvio é o convencimento do PSD e do CDS de que a sua manutenção no poder é inquestionável. Menos óbvia é também a capacidade de iniciativa de António Costa. E ainda menos óbvia é a disponibilidade do PCP para viabilizar um governo PS sem por condições. É talvez por esta soma de situações menos óbvias que se têm dito tantos disparates.

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  • Entre a maioria negativa e a maioria política

    António José Teixeira

    Muitos não terão alcançado a importância das declarações de Jerónimo de Sousa, ontem após uma reunião entre o PS e o PCP. O líder do PCP foi claro e, desta vez, não colocou condições para viabilizar um governo socialista. Não foi pura retórica, como acontece tantas vezes, foi uma escolha. "O PS só não será governo se não quiser. Rejeitaremos qualquer moção de rejeição vinda do PSD ou do CDS." Isto é novo na atitude dos comunistas.

    António José Teixeira

  • Vem aí meio ano de campanha

    António José Teixeira

    Roma já era um grande império quando os irmãos Quinto e Marco Túlio Cícero trocaram ideias sobre as artes de ganhar eleições e de governar um país. Marco era um grande orador, condição importante para o sucesso político. Quinto era tido por mais pragmático e em nome desse pragmatismo terá escrito ao irmão (há dúvidas sobre a real autoria) um conjunto de conselhos na altura em que Marco se candidatava a cônsul da República. Quando nos aproximamos do final da nossa campanha eleitoral, vale a pena lembrar como a história se repete e como os mecanismos do poder são intemporais.

    António José Teixeira

  • As sondagens não erram

    António José Teixeira

    Há muito que nos queixamos das sondagens. Há muito que se diz que erram. Por não acertarem nos resultados, passe a redundância. Ou não. As sondagens não erram. As sondagens são por natureza limitadas, contingentes, circunstanciais. Empregue o rigor dos métodos estatísticos, bem calibrada a representatividade da amostra, não há razão para pensar em conspirações das empresas de sondagens. O grande problema que teimamos em desvalorizar é que os sondados eleitores estão cada vez mais insondáveis. A culpa não é das sondagens. São os eleitores que não se confessam.

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  • E depois do debate

    António José Teixeira

    O naufrágio da humanidade espelhado naquele corpo de criança que deu à costa, como se fosse um detrito, arrepia. Mas não suficientemente. Um polícia recolheu-a nos braços como se a fosse embalar. Curvado, aquela criança pesou decerto na sua e em muitas consciências. Mas não suficientemente. Aquela criança fugia com outras crianças da Síria, passara pela Turquia rumo à Grécia. Corriam do inferno sírio, da barbárie à solta e da fome. Ninguém as viu e ouviu. Ninguém quis saber. Ninguém se importou. É duro olhar para aqueles corpos estendidos, inertes. Mas não suficientemente.

    António José Teixeira

  • A morte da Europa

    António José Teixeira

    O naufrágio da humanidade espelhado naquele corpo de criança que deu à costa, como se fosse um detrito, arrepia. Mas não suficientemente. Um polícia recolheu-a nos braços como se a fosse embalar. Curvado, aquela criança pesou decerto na sua e em muitas consciências. Mas não suficientemente. Aquela criança fugia com outras crianças da Síria, passara pela Turquia rumo à Grécia. Corriam do inferno sírio, da barbárie à solta e da fome. Ninguém as viu e ouviu. Ninguém quis saber. Ninguém se importou. É duro olhar para aqueles corpos estendidos, inertes. Mas não suficientemente.

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  • Cartazes e madrinhas da prostituição

    António José Teixeira

    Estamos em Agosto, é tempo de férias para muitos, fervilham festivais de tudo e mais alguma coisa, a torrente do futebol arrasta emoção e tolhe a razão, falta paciência para assuntos sérios, corre sem pressa a dita estação silly... Tudo isto para me desculpar por me deter na «crise dos cartazes», a magna questão política com que a campanha eleitoral nos ocupa. Não deve ser por acaso. Mesmo que os cartazes não valham metade da discussão que provocam, valem pelo menos como espelhos do nosso tempo. Há cartazes que gritam, cartazes que sorriem, que desviam atenções, que recriam a realidade, que a temperam ao gosto dos patrões, cartazes que dramatizam ou fantasiam, cartazes ainda que nos indignam e revoltam. De tudo um pouco, sobretudo de excesso. Faz parte.

    António José Teixeira

  • Tempos de iliberalismo

    Opinião

    De que é que hoje se fala na Europa? De migrações, invasões, muros, arame farpado, naufrágios, vigilância. Também se fala da Grécia, do Syriza, do resgate e da troika. Não se fala de muito mais. Talvez um pouco dos planos de François Hollande que quer «relaçar a Europa» com uma «vanguarda». Europa a várias velocidades, com vanguardas e rectaguardas. Já lá vai a ideia da coesão...

    António José Teixeira