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António José Teixeira

Importam-se de esclarecer?

Bem, ou mal, os senhores que ouvimos na Assembleia da República a debater o estado da nossa Nação são os nossos representantes, aqueles que escolhemos, os que falam em nosso nome. Pouco importa denegri-los, mas importa estar atento ao que dizem e fazem. O país que nos devolveram esta semana revela uma profunda clivagem na sociedade portuguesa.

 É essa a clivagem central que vai a eleições no início do Outono. De um lado, os «pecados capitais» do PSD/CDS, do outro, as «pragas» socialistas. A divisão é simplista, binária. Mas o pêndulo de campanha oscila assim. Uns enchem a boca de «dever cumprido» entre a bancarrota e a vitória sobre o resgate. Outros centram todas as energias na demonstração do falhanço, na «bancarrota social». Vamos ouvir à exaustão que foi o PS que chamou a troika e o PSD e o CDS que resolveram o problema. Estamos agora melhor, vamos «desfazer as medidas de emergência», vem aí a «moderação fiscal» e a «guerra sem quartel às desigualdades».

Na resposta, vamos também cansar-nos de ouvir falar da «sangria fiscal», do desemprego como há 20 anos, da emigração como há 50 anos ou da pobreza como há 15 anos. Pragas e pecados, muitos, pouca substância, como é costume. Continua a longa marcha da campanha eleitoral. Todo e qualquer palco servem para comício, mesmo a Assembleia da República.

Receio que o País de que estamos a falar não esteja tão sólido nem tão frágil como o pintam. Digo que está suficientemente frágil para não haver razões para alguns levantarem tanto a voz. Ao contrário do que se diz, Portugal não se reformou nem houve sequer a intenção de o reformar. Tão só cortar e vender ao sabor da folha de excel a que nos obrigámos, a começar pelo PS. É verdade que era difícil fugir às agruras do resgate. Tão verdade como a convicção singular de irmos mais longe do que a obrigação.

Convinha que os partidos não nos cansassem demasiado com estes e outros chavões. Se nos explicassem bem o querem fazer com a segurança social, os impostos, a educação e a saúde, seria bom. Será que querem? Aguardamos

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