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Bernardo Ferrão

Marcelo e os livros da "Anita"

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor de Informação

Anita na praia, Anita na montanha, Anita e as 4 estações, Anita vai às aulas, Anita em Munique… Quem não se lembra das histórias da Anita? Os livros da personagem criada há 62 anos pelos belgas Gilbert Delahay e Marcel Marlier contavam as inocentes e românticas aventuras da menina que corria mundo. Quando apareceram, em 1954, o Presidente Marcelo já somava 5 primaveras.

Não sei, nem importa para o caso, se o Presidente foi ou não um leitor destes contos, o que aqui me traz é o paralelo que pode ser traçado entre as duas figuras – não querendo ofender nem o personagem real, nem a da ficção. Se Anita estava em todas, Marcelo não lhe fica atrás. Desde a tomada de posse já vimos Marcelo e o Conselho de Estado, Marcelo e Domingos Sequeira, Marcelo e a Banca, Marcelo e o cão Asa, a mochila de Marcelo, Marcelo e o rap improvisado, Marcelo e Nicolau Breyner, e Angola, e os Panama Papers, e o terrorismo, e os sms para o Congresso do PSD, e a “geringonça”, e o Orçamento…

Um mês depois da chegada a Belem, o anti-Cavaco vive o seu estado de graça. Está em todo o lado e fala sobre tudo. Mas mais do que furar protocolos, Marcelo mostrou-nos outra forma de estar e de atuar na política. O convite a Mario Draghi para o Conselho de Estado é um bom exemplo de como soube agarrar o cargo - deu relevância política a Belém, substância a um órgão presidencial semi-morto e marcou a agenda. O problema é se com esta intervenção pública, tão omnipresente, não corre o risco de se tornar naqueles maratonistas que dão tudo nos primeiros metros, quando ainda tem tantos quilómetros pela frente.

Ao estar sempre em palco, Marcelo corre outro risco: está a criar e a tornar-se num hábito, uma sensação que se adensa depois dos dois mandatos de Cavaco marcados por muitas e inexplicáveis ausências e uma absoluta rigidez no exercício do cargo. É como se tivéssemos sempre garantido o comentário, já não do comentador dominical, mas do Presidente “Rebelo de Sousa”. Mas se este estilo de presidência, mais próxima, nos parece positivo, pergunto-me se não se pode virar contra o próprio – e aqui incluo a cobertura que deu à atuação do poder político sobre as questões da banca.

Será que o seu presente não está condicionar-lhe o futuro?

Quando as tensões chegarem, quando a crise apertar, Marcelo será obrigado a recuar. Um Presidente, sobretudo em tempos mais instáveis, não pode estar permanentemente na praça pública, ao virar da esquina, pronto para dizer umas coisas. Só que no dia em que Marcelo precisar de se afastar da comunicação social, e da primeira linha da atualidade, o seu silêncio será muito mais pesado. E revelador.

Considero que Marcelo arrancou bem e está a saber ocupar um cargo dificílimo – de um homem só -, mas não acredito que este estilo possa perdurar com a mesma intensidade. Não é bom nem para o chefe de Estado, nem para nós. O excesso, tal como o defeito, também satura. Nem tanto ao mar...

No ano passado, por decisão da editora, Anita mudou de nome e voltou ao original: Martine. Marcelo é Marcelo, não corre esse risco, mas a sua história em Belém ainda vai dar muitas voltas. Bem sei que agora é hora de se mostrar, mas se não começar a desacelerar a fatura será pesada. E o Marcelo original – muito desgastado - pode já não ser recuperável.

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