17.06.2011 19:25

Paulo Portas nos Negócios Estrangeiros nove anos depois de pasta ter sido recusada ao CDS-PP

 
 

Paulo Portas volta ao Governo cumprindo a ambição  de exercer a "habilidade diplomática" que lhe apontam colaboradores próximos,  numa pasta que tinha sido recusada ao CDS-PP em 2002, os Negócios Estrangeiros.

Em 2002, segundo disse à Lusa um dirigente centrista que acompanhou  na altura o processo de formação do Governo de coligação, o CDS-PP "tinha  manifestado disponibilidade" para assumir as pastas dos "Negócios Estrangeiros,  Administração Interna, Emprego e Segurança Social".  

No entanto, acabou por ficar no XV Governo, liderado por Durão Barroso,  com a Justiça (Celeste Cardona), Estado e Defesa Nacional (Paulo Portas)  e Segurança Social e Trabalho (António Bagão Félix, independente). No Governo  seguinte, com Pedro Santana Lopes, Paulo Portas manteve o ministério do  Estado e da Defesa Nacional e foi-lhe acrescentada a tutela dos Assuntos  do Mar. 

Fluente em quatro línguas estrangeiras -- francês, inglês, espanhol  e italiano -- Paulo Sacadura Cabral Portas, 48 anos, assumirá finalmente  a pasta dos Negócios Estrangeiros, sendo também ministro de Estado do XIX  Governo Constitucional. 

Foi sob a liderança de Paulo Portas, destacou fonte democrata-cristã,  que o CDS-PP conseguiu ser readmitido no grupo parlamentar do PPE (Partido  Popular Europeu) -- a mesma família europeia a que pertence o PSD -- da  qual tinha sido expulso em 1992, durante a liderança de Manuel Monteiro  devido às posições assumidamente anti-europeístas.  

O regresso ao PPE, ainda que restrito ao grupo parlamentar, deu-se em  2004, um "primeiro passo" para a plena integração naquela família política,  que só ocorreu em 2009. 

Paulo Portas aderiu ao CDS-PP em 1995, depois de ter sido um dos principais  conselheiros do antigo presidente do partido Manuel Monteiro, que viria  a substituir, no congresso de Braga, em 1998. 

Liderou o partido durante sete anos, levando o CDS-PP ao poder em 2002  e demitiu-se em 2005, na sequência das legislativas de fevereiro desse ano,  nas quais o partido obteve 7,3 por cento dos votos, quando pedira 10 por  cento na campanha eleitoral.  

Dois anos depois, com Ribeiro e Castro à frente do CDS-PP, Portas anunciou  a intenção de regressar à liderança e, depois de quase dois meses de polémicas  jurídicas internas, conseguiu ver aprovado o método de eleições diretas  para a disputa interna. 

Desde que voltou à liderança do CDS-PP, em 2007, quando derrotou o ex-líder  Ribeiro e Castro, Paulo Portas foi reeleito por duas vezes, em 2009 e em  2011, com mais de 95 por cento dos votos e sem qualquer adversário, em eleições  diretas. Excetuando as intercalares de Lisboa em 2007, nas quais sofreu  uma pesada derrota, o CDS-PP conseguiu manter ou reforçar os resultados  eleitorais nas regionais, europeias e legislativas.  

O processo sobre a compra de dois submarinos pelo Governo de Durão Barroso  e Paulo Portas ainda "persegue" politicamente o líder do CDS-PP que, em  debates ou quando questionado sobre o assunto, defendeu sempre a opção que  fez e lembrou que, em termos judiciais, nunca foi chamado a qualquer investigação.

Irmão do eurodeputado do BE Miguel Portas, Paulo Portas estudou no colégio  São João de Brito, Lisboa, e licenciou-se em Direito pela Universidade Católica.

Acabou por tornar-se jornalista - uma das opções que lhe apontaram os  testes psicotécnicos, além de advogado, político e padre. Católico praticante  e amante de cinema, Portas começa na política na JSD, da qual se afasta  com a morte de Francisco Sá Carneiro. Funda o semanário "O Independente",  o qual dirige até regressar a uma das suas outras paixões: a política. 

 

     

 

Lusa

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.