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Estudantes de Coimbra contra um Governo que os deixa de "mãos atadas"

Os estudantes apresentaram-se hoje de mãos atadas à frente do edifício da Associação Académica de Coimbra (AAC), que estava coberto de panos negros, num protesto contra os cortes no Ensino Superior, que assinala o Dia Nacional do Estudante.

Lusa

"Mais financiamento e mais ação social", pediu o presidente da AAC, Bruno Matias, recordando os estudantes que já abandonaram o ensino superior e aqueles que não entram por falta de apoios.

A manifestação, que contou com cerca de 400 estudantes do ensino universitário e politécnico de Coimbra, começou com uma concentração no Largo Dom Dinis, às 12:00, em que os estudantes envergaram faixas, onde se lia "só faltas tu", numa referência àqueles que tiveram de desistir de formação superior.

A cantar "Grândola Vila Morena", com uma letra alterada que pedia um "ensino financiado", os estudantes desceram as Escadas Monumentais, intercalando também músicas de um "cancioneiro novo", criado para a ocasião, com palavras de ordem, como "ação social não existe em Portugal", "para os bancos vão milhões, para o ensino só tostões" ou "mais um empurrão e o Governo vai ao chão".

No final do protesto, em frente à Associação Académica de Coimbra, Bruno Matias criticou o Governo por afirmar que tem os cofres cheios.

"Então se há cofres cheios, porque é que há estudantes com dificuldades? Porque é que há estudantes sem bolsa? Porque é que se corta nas universidades?", questionou.

A manifestação fez ainda referência à emigração de jovens portugueses, contando com um momento musical protagonizado pela secção de Fado, que interpretou o "Cantar de Emigração", de Adriano Correia de Oliveira, música de 1971, que dizia que "este parte, aquele parte e todos, todos se vão".

No protesto, esteve ainda uma imagem em cartão do ministro da Educação, Nuno Crato, para se lembrar a recusa do Governo de visitar Coimbra e observar as dificuldades e problemas sentidos pelos estudantes, explanou Bruno Matias.

Após essa recusa, a AAC rejeitou um convite posterior para um almoço hoje com o primeiro-ministro, Passos Coelho, em Braga, com representantes de várias associações académicas nacionais.

"É com orgulho que recusamos o almoço", frisou o presidente da AAC, referindo, numa alusão à presença da maioria das associações de estudantes no almoço com o primeiro-ministro, que a associação que lidera "nunca vai ficar sozinha, enquanto tiver os 30 mil estudantes de Coimbra a lutarem juntos".

Sobre futuras ações de protesto, Bruno Matias afirmou que a AAC irá "à rua, sempre que for necessário".

Marco Eliseu, em representação dos estudantes do ensino politécnico de Coimbra, sublinhou que o movimento associativo tem de ter uma "voz reivindicativa", pedindo "mais ações e mais união".







Lusa
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