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Cerca de 30 pessoas são atendidas gratuitamente todos os dias por enfermeiros da Santa Casa

Todos os dias cerca de 30 pessoas são atendidas, em média, por três equipas de enfermeiros que percorrem os bairros de Lisboa a realizar ações gratuitas de rastreio e de prevenção às principais doenças crónicas que afetam os portugueses.

A maior parte do diagnóstico "ainda não é precoce", disse à agência Lusa Lèlita Santos, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, frisando que o tratamento e o diagnóstico são os dois grandes desafios nas doenças autoimunes, para além da necessidade de se conhecer as suas causas. (Arquivo)

A maior parte do diagnóstico "ainda não é precoce", disse à agência Lusa Lèlita Santos, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, frisando que o tratamento e o diagnóstico são os dois grandes desafios nas doenças autoimunes, para além da necessidade de se conhecer as suas causas. (Arquivo)

Francisco Seco / AP

Há quase três anos que o programa itinerante da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) "Saúde Mais Próxima" convida os lisboetas a avaliarem o seu estado de saúde e a adotarem hábitos de vida saudável. 

Neste período mais de 24 mil pessoas foram avaliadas em consultas de enfermagem, realizadas em duas unidades móveis de saúde da SCML, das quais cerca de 2200 foram encaminhadas para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), segundo dados da SCML avançados à Lusa no Dia Mundial da Saúde, assinalado hoje.

Além de rastreios gerais ao índice de massa corporal, tensão arterial, diabetes e colesterol, a cada dois meses há um novo rastreio e sensibilização em torno de uma patologia frequente na população portuguesa.

No primeiro trimestre deste ano já foram assistidas 3044 pessoas, das quais 686 crianças, que foram atendidas na Unidade Móvel Juvenil.

Das 686 crianças assistidas, 226 foram encaminhados para o SNS, a maioria (121) devido a problemas nutricionais. 

Foram ainda encaminhadas 104 crianças com problemas orais, 51 com problemas visuais e 31 por apresentarem alteração nas avaliações analíticas.

Em declarações à Lusa, a coordenadora do Núcleo Saúde Mais Próxima, Noémia Silveiro, disse que a "grande conclusão" a que se chegou ao fim de quase três anos na rua "foi que as pessoas não sabem rentabilizar as respostas que têm disponíveis". 

"É preciso investir muito na prevenção e na literacia em saúde", defendeu Noémia Silveiro, contando que o trabalho destas equipas é "ir ao encontro das pessoas" para que estas "valorizem o bem que têm", a saúde.

Ao mesmo tempo, adiantou, levam "a informação o mais detalhada e simples possível para que as pessoas possam usufruir das respostas que o Estado põe à disposição".

Sobre os problemas de saúde detetados, Noémia Silveiro contou que, até aos 18 anos, "é muito preocupante" a saúde oral e a obesidade.

Devido e esta situação, o Saúde Mais Próxima está a criar sessões de sensibilização para a saúde nestas duas áreas.

   Segundo a SCML, a generalidade das pessoas atendidas não segue um padrão alimentar adequado e tem um estilo vida sedentário, apresentando excesso de peso e obesidade. 

A maioria dos encaminhamentos foi realizada por motivo de alterações de saúde, mas houve alguns casos que necessitaram de encaminhamento para a ação social

Noémia Silveiro contou que muitas pessoas têm dificuldade em "interpretar a linguagem da saúde". Para os ajudar, contam com o apoio dos enfermeiros.

"Neste momento já começamos a ter pessoas que estão à nossa espera para os ajudarmos a interpretar o que o médico lhes disse o que é fantástico", disse.

"O nosso papel é ajudá-las a interpretar e a mudarem alguns comportamentos para benefício da sua saúde", acrescentou.

   As dificuldades socioeconómicas também levaram muitas pessoas a não considerar prioritária a vigilância da sua saúde.

"A saúde foi posta em segundo lugar" porque, além da crise, "cortou-se muito nos subsídios, alguns medicamentos deixaram de ter comparticipação", aumentaram as taxas moderadoras e "isto fez com que todos cortássemos nalgumas despesas".

Mas, frisou, "uma das nossas lutas tem sido que a saúde é um bem essencial e sem ela não ultrapassamos a crise".   
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