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Jerónimo critica indefinição do PS e compara o partido a um "caranguejo moído"

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje a indefinição do PS em delinear uma política alternativa e considerou que o partido "nem é carne nem é peixe", parecendo "um caranguejo moído".

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"Neste quadro de objetivos claros por parte da direita e deste PS que nem é carne nem é peixe, que mais parece um caranguejo moído em termos de definição de uma política alternativa, nós queremos dizer 'aqui está a CDU'. Há razões para estarmos confiantes", afirmou Jerónimo de Sousa, referindo-se às próximas legislativas.

O secretário-geral do PCP falava durante um almoço-convívio com militantes em Castelo Branco.

Lembrando que as eleições legislativas são já em setembro ou outubro deste ano, o líder dos comunistas referiu que "esta batalha exige muito de cada um".

Num discurso já de pré-campanha, Jerónimo de Sousa referiu, que decorridos três anos da aplicação do "pacto de agressão", o país está hoje mais endividado, mais empobrecido, com mais desemprego e com mais emigração.

"Esta será a síntese das sínteses que derrubará qualquer propaganda que afirma que o nosso país está no bom caminho e que está a dar a volta", adiantou.

O secretário-geral do PCP explicou que esta ideia da libertação da "troika" (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) é uma "mistificação" e referiu que, se é verdade que se foram embora, deixaram cá a sua política.

"A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional deram já em janeiro as suas recomendações, que o Governo, naturalmente, toma imediatamente como as suas orientações. Dizem que estão a dar a volta, mas estão a discutir o chamado programa de reformas que, no essencial, vem desmentir esta teoria", disse.

Jerónimo de Sousa acrescentou que aquilo que está proposto são mais cortes na educação, na saúde e na proteção social, o aumento da carga fiscal para os trabalhadores e micro e pequenos empresários e a redução da carga fiscal para os grandes grupos económicos.

"O PCP propõe uma política alternativa. Já não podemos dizer o mesmo do PS, que tem um drama: está prisioneiro da sua assinatura do pacto de agressão, da política dos PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento], da sua identificação com as políticas da União Europeia", afirmou.

Apesar deste "aprisionamento e condicionamento" do PS, referiu Jerónimo de Sousa, os socialistas sabem o que querem.

   "Mas, continuando amarrado à política da União Europeu, o PS não pode querer sol na eira e chuva no nabal, não pode afirmar-se como uma política de esquerda, de rutura e de mudança, porque está comprometido com esta política e por isso, anda numa indefinição. Nós temos uma proposta de rutura com esta política", declarou.

   O comunista reiterou ainda que há círculos de decisão que estão interessados na secundarização das eleições legislativas: "Esta deriva subestimando a batalha principal e prioritária que são as legislativas serve fundamentalmente a direita"

Contudo, o secretário-geral do PCP sublinhou que os portugueses percebem que se está a poucos meses das eleições legislativas e que as presidenciais são daqui a quase um ano.  

"São as legislativas que podem determinar muito da evolução da vida nacional nos próximos anos. É uma batalha em que, tendo em conta a situação do país, os portugueses percebem que é aqui que devemos centrar o nosso esforço", adiantou.


Lusa

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