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Quercus diz que subsistem sérias ameaças ao lince ibérico

A organização ambientalista Quercus considera que subsistem muitas ameaças ao lince ibérico e defende que o Governo deve resolver definitivamente a questão do envenenamento de animais e acabar "com a impunidade no setor".

Lince libertado em dezembro de 2014 em Mértola.

Lince libertado em dezembro de 2014 em Mértola.

Arquivo Lusa

Samuel Infante, representante da Quercus no Programa Antídoto (plataforma contra o uso ilegal de venenos), reagia assim, em declarações à agência Lusa, ao anúncio de hoje de que foi envenenada a fêmea de lince ibérico encontrada morta no mês passado.

O anúncio foi feito hoje pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), depois de conhecidos os resultados da análise à fêmea Kayakweru, que nascera no Centro Nacional de Reprodução de Lince Ibérico, em Silves, e que, a 25 de fevereiro, foi libertada na natureza na zona do Parque Natural do Guadiana, em Mértola, onde foi encontrada morta a 12 de março.

"Pela informação que temos era uma zona de caça. Se o envenenamento seria dirigido ou não... pode haver uma intencionalidade" de matar os predadores de espécies como os coelhos, disse o responsável.

O envenenamento de predadores é uma prática ilegal mas "todas as semanas morrem animais por todo o país devido a veneno" e o Alentejo não é exceção, disse Samuel Infante, acrescentando que "o envenenamento não é só um problema de biodiversidade mas também de saúde pública".

Para o plano de ação para o lince ibérico (cuja consulta pública termina na sexta-feira), a Quercus pediu nomeadamente que não sejam autorizados projetos para a área desses linces, como moinhos eólicos ou novas estradas, disse o responsável, considerando também importante que, à semelhança de Espanha, Portugal comece a ter cães treinados para deteção de venenos.

E também, acrescentou, que o ICN tenha vontade política para combater o veneno e tomar medidas, como suspender zonas de caça em vez de dar mais áreas e mesmo em locais onde a lei não foi respeitada, acusou.

Na altura da introdução dos linces na região, a Quercus tinha alertado para a necessidade de haver uma estratégia em relação aos fatores de ameaça. Se a questão da alimentação não era problema, subsistiam outros, como os atropelamentos ou o envenenamento, disse Samuel Infante.

Lusa

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