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ILGA acusa presidente do Instituto do Sangue de fazer declarações discriminatórias

A ILGA Portugal (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) acusou hoje o presidente do Instituto Português do Sangue de fazer declarações irresponsáveis e discriminatórias ao dizer que as pessoas homossexuais só podem dar sangue se estiverem em abstinência sexual.

(LUSA/ ARQUIVO)

Ao ser ouvido hoje na Comissão Parlamentar de Saúde, na Assembleia da República, Hélder Trindade afirmou que ser homem e ter tido sexo com outros homens é fator de exclusão para a dádiva de sangue, acrescentando que só admite dadores gays se eles estiverem em fase de abstinência sexual.

"São [declarações] de uma extrema irresponsabilidade e absolutamente discriminatórias. Irresponsabilidade porque, antes de tudo, para ter um sangue de qualidade os critérios têm de ser os comportamentos e não a orientação sexual", defendeu a presidente da ILGA, em declarações à Lusa.

Isabel Advirta sublinhou que não pode ser o fator 'com quem se teve sexo' a definir o grau de risco de uma dádiva, mas sim os comportamentos.

Para a responsável, esta posição do presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) vai contra "várias posições internacionais" e uma recomendação da Assembleia da República, para que "a discriminação dos homens que têm sexo com homens fosse terminada".

"Não só ignora estas recomendações, como apela à estigmatização à custa das pessoas que são alvo desta estigmatização e o pior de tudo é que utiliza argumentos científicos sem fundamento para continuar a explorar a discriminação que existe", acusou.

Segundo a presidente da ILGA, "é consensual que a transmissão por via sexual não depende das práticas sexuais específicas, mas das práticas sem proteção".

"E é por isso que são os comportamentos e não as práticas sexuais em si que são, eventualmente, um fator de risco acrescido", apontou.

Isabel Advirta disse que a ILGA pediu recentemente uma audiência ao ministro da Saúde para, entre outros assuntos, abordar esta questão, mas lembrou que andam há cerca de dois anos a tentar perceber em que ponto está o grupo de trabalho criado em 2012 por causa desta matéria.

"Parece que não existe. Achamos que a vontade política de manter a discriminação é a regra, ignorando não só o facto de que estão a estigmatizar uma população que já é alvo de preconceito, como também as boas práticas em relação aos fatores de risco numa colheita de sangue", adiantou.

Sobre esse grupo de trabalho, o presidente do IPSH disse, na comissão, que deverá haver conclusões "em breve" e frisou que o instituto ao qual preside "não tem preconceitos" que debate estes assuntos com um olhar "técnico e científico".


Lusa

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