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Quercus pede reforço de meios para evitar envenenamentos após morte de cinco abutres

A Quercus defendeu hoje o reforço dos meios de deteção de venenos e das sanções nas zonas de caça com situações de envenenamentos, depois da morte de cinco abutres em Miranda do Douro, no distrito de Bragança. 

(Reuters/ Arquivo)

(Reuters/ Arquivo)

© Baz Ratner / Reuters

Os ambientalistas referem que, na sexta-feira, foram encontrados junto ao rio Angueira, em Miranda do Douro, quatro abutres-pretos (Aegypius monachus) e um abutre-do-Egipto (Neopron pernocopterus) "mortos com suspeita de envenenamento", tendo sido recolhidas pelo Serviço de Proteção da Natureza (SEPNA) da GNR e enviadas para serem sujeitos a análise.

Estas aves estão em perigo de extinção e foram encontradas mortas numa zona de caça, acrescenta uma informação da associação de defesa do ambiente.

No âmbito do trabalho do Programa Antídoto Portugal (PAP), plataforma de entidades que pretende combater as formas indevidas de uso de venenos, a Quercus apela a que sejam reforçadas as capacidades analíticas e de deteção destas substâncias, nomeadamente através de criação de equipas caninas e do reforço da colaboração dos laboratórios públicos.

O apelo estende-se ao reforço das sanções "pela via administrativa, com a suspensão de licenças, as zonas de caça onde ocorram os envenenamentos, à semelhança do método seguido em Espanha, uma vez que é necessário reforçar a capacidade de resposta para esta ameaça grave à biodiversidade e à saúde pública".

"Este episódio de envenenamento poderá contribuir para a extinção regional da espécie e condicionar o regresso de populações reprodutoras estáveis no norte nos próximos anos", alerta ainda a Quercus.

Segundo os ambientalistas , "a principal motivação para o uso de venenos é a eliminação de animais considerados nocivos pelos caçadores e criadores de gado" e entre as espécies mais atingidas por esta prática ilegal estão a raposa, o saca-rabos, o lobo, o abutre negro ou a águia-Imperial.

Um dos abutres-pretos encontrados mortos tinha sido marcado com um transmissor e marcas alares no Tejo Internacional, em Idanha-a-Nova, em 2013, uma prática que pretende utilizar espécimes marcados como uma ferramenta na conservação das aves e no combate ao uso ilegal de venenos, aumentando a eficácia na deteção de eventuais episódios de envenenamento.

O abutre-preto extinguiu-se como nidificante em Portugal no início da década de 70, devido à perseguição de que foi alvo e ao uso de venenos, mas a destruição de habitat também pode ter contribuido para a situação, explica a associação. 

No entanto, a espécie manteve-se presente na faixa fronteiriça das regiões centro e sul do país, com aves de Espanha, onde existe uma população de 1.845 casais. 

Atualmente, a população portuguesa de abutre-preto conta apenas com nove a 11 casais, dos quais um no Parque Natural do Douro Internacional, oito no Parque Natural do Tejo Internacional e dois recentemente instalados na Zona de Proteção Especial para Aves de Mourão-Moura-Barrancos. 


Lusa
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