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Metro de superfície em Oeiras cumpre última viagem

O metro de superfície de Oeiras, SATU, vai realizar a sua última viagem no domingo, cumprindo um encerramento sentenciado pelo Governo, que põe fim a um trajeto marcado por dívidas e dúvidas em torno da sua continuidade. 

(SIC/ Arquivo)

(SIC/ Arquivo)

Foi a 7 de junho de 2004 que Portugal conheceu o primeiro comboio monocarril e não tripulado do país. 

 
 

O projeto, que custou 20 milhões de euros, teve como mentor o ex-presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, mas foi inaugurado por Teresa Zambujo (PSD), que liderava o executivo na altura, e pelo então ministro dos Transportes e Obras Públicas, Carmona Rodrigues. 

 
 

O Sistema Automático de Transportes Urbanos (SATU) sem condutor, elétrico e não poluente, funciona como uma espécie de elevador na horizontal, e a polémica à sua volta começou logo na viagem inaugural. Na ocasião, dezenas de manifestantes contestaram o preço dos bilhetes. 

 
 

Um ano depois, os protestos continuavam, mas desta vez da parte de moradores que alertavam para o ruído provocado por um meio de transporte que circulava "vazio". 

 
 

Foi também em 2005 que começaram a surgir as primeiras exigências da oposição de esquerda na Câmara de Oeiras no sentido do encerramento do SATU, apontado como "um elefante branco do ponto de vista económico". Cinco anos depois, em 2010, foram conhecidos os reais prejuízos da empresa: 17 milhões de euros acumulados desde o seu início. 

 
 

No mesmo ano, a empresa municipal que gere o SATU foi alvo de um inquérito titulado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do Ministério Público, tendo sido realizadas buscas à sede da empresa, no Lagoas Parque. 

 
 

Isaltino Morais, presidente da autarquia - principal acionista do SATU (51%) -, disse na altura "não ter dúvidas da legalidade" da empresa, gerida em parceria com a Teixeira Duarte (49%). 

 
 

O trajeto inicial do SATU ligava Paço de Arcos e o Oeiras Parque, numa extensão de cerca de 1,2 quilómetros, e assim se manteve até aos dias de hoje, apesar dos projetos de expansão posteriormente anunciados. 

 
 

Em julho de 2007, os então autarcas de Oeiras e Sintra, Isaltino Morais e Fernando Seara, respetivamente, assinaram um protocolo para prolongar a linha do SATU até ao Cacém, estimando-se um investimento de cerca de 250 milhões de euros, que nunca chegou a acontecer. 

 
 

O projeto foi ficando suspenso e, em 2012, o gabinete de comunicação do SATU afirmou que a extensão da linha até ao Cacém poderia ser financiada por fundos comunitários, desconhecendo-se quais as verbas finais necessárias para o investimento. 

 
 

Envolto em polémica, o SATU foi tema de debate numa sessão pública promovida pela Câmara de Oeiras, em janeiro de 2013, com a maioria dos munícipes a defender o seu encerramento e a autarquia a reconhecer os elevados prejuízos. 

 
 

Na ocasião, o vice-presidente da Câmara de Oeiras, Paulo Vistas [que agora lidera o executivo], informou que tinha solicitado à administração da Teixeira Duarte a suspensão do SATU, mas que tal havia sido rejeitado e, uma vez negada a proposta, o transporte iria mesmo continuar. 

 
 

O ano de 2013 foi marcado pelas eleições autárquicas e o SATU foi "bandeira" de alguns candidatos. Marcos Sá, do PS, prometeu fechar definitivamente o transporte, o candidato da CDU defendeu a necessidade de resolver os seus problemas financeiros e o independente Paulo Vistas, sucessor de Isaltino Morais, defendeu a sua continuidade e mais investimento. 

 
 

Já com Paulo Vistas no poder, a Assembleia Municipal de Oeiras aprovou, com os votos favoráveis do movimento Isaltino Oeiras Mais À Frente (IOMAF) e do PSD, um investimento camarário de 10 milhões de euros para a extensão do metro do SATU até ao Cacém. 

 
 

No entanto, cerca de um ano depois, dava-se o início do fim do SATU. A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, determinou a "dissolução oficiosa" da empresa, tendo por base a verificação de três das quatro situações de natureza financeira que implicam a dissolução obrigatória de empresas municipais. 

 
 

Em resposta, Paulo Vistas prometeu refutar esse despacho do Governo, sublinhando que "não obedece a ordens de ministros", e incluiu os investimentos necessários no SATU no orçamento municipal de 2015. 

 
 

Contudo, em abril deste ano, Paulo Vistas anunciou que o metro de superfície iria mesmo chegar ao fim a 31 de maio. 

 
 

"Não tenho mais como lutar por este projeto. Eu continuo a acreditar nele", que só seria viável "com continuação de investimento", afirmou o autarca. 

 
 

Em declarações à agência Lusa, Paulo Vistas disse que a Câmara de Oeiras não iria ficar com nenhum encargo e que o prejuízo de 40 milhões de euros será suportado pelo parceiro privado, a Teixeira Duarte. 

 
 

O futuro da estrutura, segundo o autarca, está ainda a ser estudado, admitindo a autarquia que a sua demolição iria ter custos muito elevados. 

 
 

Nos 11 anos de funcionamento, o SATU registou uma média diária de 550 passageiros.



Lusa

  •  Fim do metro de superfície de Oeiras
    3:54

    País

    Onze anos depois, vai ser desativado o monocarril automático que liga Oeiras a Paço d'Arcos. A decisão é do Ministério das Finanças, a Câmara de Oeiras discorda mas respeita. O prejuízo de 40 milhões de euros vai ser pago pelo parceiro privado, a Teixeira Duarte. O SATU é projeto que morre sem ter sido terminado e que foi sempre alvo de muita contestação.

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