sicnot

Perfil

País

Investigadores de Coimbra apontam nova direção para tratamento do cancro

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) descobriram que a origem das células estaminais cancerígenas é multifacetada e que algumas surgem por ação da quimioterapia, o que sugere "uma nova direção para o tratamento" do cancro. 

Em Coimbra está convocada uma concentração na Praça da República, de onde vai partir uma marcha até ao Largo da Portagem (Arquivo)

Em Coimbra está convocada uma concentração na Praça da República, de onde vai partir uma marcha até ao Largo da Portagem (Arquivo)

© Reuters Photographer / Reuters

Uma equipa de investigadores do Departamento de Ciências da Vida da UC, dedicada ao "estudo dos mecanismos envolvidos na carcinogénese", descobriu que, "ao contrário do que se pensava até agora, a origem das células estaminais cancerígenas é multifacetada" e que "algumas surgem mesmo por ação da quimioterapia", anunciou hoje a instituição. 

 
 

Visando analisar a origem das células estaminais tumorais, o estudo "provou haver uma grande plasticidade intratumoral, ou seja, dentro do tumor há um vasto conjunto de subpopulações celulares que, mediante determinados estímulos, se convertem em células estaminais cancerígenas, cujo potencial maligno acrescido assegura a sobrevivência, invasão e metastização dos tumores", afirma a UC numa nota hoje divulgada. 

 
 

Segundo vários estudos anteriores, "as células estaminais tumorais são extremamente resistentes aos tratamentos convencionais do cancro (quimioterapia e/ou radioterapia) e responsáveis pelas recidivas de diversos tipos de tumores", sublinha a UC. 

 
 

As experiências realizadas no âmbito deste estudo -intitulado "Cancer stem cells and tumor progression: from molecular mechanisms to clinical consequences" -, "primeiro em linhas celulares tumorais e posteriormente em modelos animais (ratinhos)", permitiram ainda identificar "três citocinas (moléculas envolvidas nas transmissão de informação entre células) como potenciais promotores desta interconversão celular maligna". 

 
 

As citocinas identificadas promovem uma espécie de "conversa invisível" entre as várias subpopulações de células, "transmitindo propositadamente informação que leva à mudança de fenótipos das células" e "assegurando, consequentemente, a sua sobrevivência", explicita a coordenadora do estudo, Maria Carmem Alpoim. 

 
 

As descobertas conseguidas nesta investigação assinalam que é necessária uma mudança no paradigma de combate ao cancro, salienta a UC. 

 
 

"Estas evidências determinam a implementação de novas abordagens nos tratamentos oncológicos para aumentar a sua eficácia", alerta Maria Carmem Alpoim. 

 
 

"O recurso a cocktails de medicamentos direcionados às várias subpopulações tumorais, inclusive em doentes submetidos a radioterapia, permitirá maximizar a sua eficiência", sustenta a investigadora. 

 
 

"As estratégias terapêuticas têm de ser multifacetadas e não somente direcionadas à diminuição da massa do tumor porque a interconversão entre as subpopulações celulares cancerígenas permite manter e, inclusivamente, aumentar o potencial maligno", sublinha Maria Carmem Alpoim , que também é docente de Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. 

 
 

A investigação foi financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).


Lusa

  • "É evidente que não fecho a porta ao Eurogrupo"
    1:38

    Economia

    O ministro das Finanças diz que não fecha a porta ao Eurogrupo. A declaração é feita numa entrevista ao semanário Expresso. No entanto, Mário Centeno deixa a ressalva que qualquer ministro das Finanças do Eurogrupo pode ser presidente.

  • Itália tenta colocar migrações na agenda do G7 contra vontade dos EUA
    1:45
  • Com a multiplicação de bons indicadores económicos e financeiros do país, multiplicam-se os elogios ao Governo e declaram-se mortas e enterradas as políticas do passado recente, nomeadamente a da austeridade. Nada mais errado. O que os bons resultados agora alcançados provam definitivamente é que a austeridade resolveu de facto os problemas das contas públicas e, mais do que isso, contribuiu para o crescimento económico que foi garantido por reformas estruturais e pela reorientação do modelo económico.

    José Gomes Ferreira

  • Raízes de ciência e rebentos de esperança
    14:14
  • Portugal pode ser atingido por longos períodos de seca

    País

    Portugal e Espanha podem ser atingidos até 2100 por 'megasecas', períodos de seca de dez ou mais anos, segundo os piores cenários traçados num estudo da universidade britânica Newcastle, que tem a participação de uma investigadora portuguesa.