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Catarina Martins acusa coligação PSD/CDS-PP de "desfaçatez" e "falsas promessas"

A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, acusou hoje a coligação PSD/CDS-PP de "desfaçatez" por depois de "ter retirado vários apoios às famílias apresentar agora medidas sobre o abono de família e as creches públicas".

Catarina Martins, Bloco de Esquerda (Lusa)

Catarina Martins, Bloco de Esquerda (Lusa)

MANUEL DE ALMEIDA

"As falsas promessas que o Governo fez há quatro anos são a medida exata das falsas garantias que dá hoje. O programa do Governo não garante absolutamente nada a ninguém porque se há quatro anos não foi o que fizeram, porque é que agora alguém acreditará", disse Catarina Martins.

A porta-voz do BE falava numa conferência de imprensa que servia para "prestar contas" da atividade parlamentar desenvolvida pelos deputados eleitos pelo Porto, tendo sido convidada, à margem da sessão, a comentar o facto de as linhas gerais do programa da coligação PSD/CDS-PP falarem em creches como um direito universal para todas as crianças com mais de três anos e conterem a ambição de repor o abono de famílias para o quarto e quinto escalões.

"Pode-se prometer tudo e fazer o seu contrário e a maioria PSD/CDS-PP já mostrou que o pode fazer (...) Quem retirou o apoio escolar a crianças com deficiência, vir agora dizer que vai repor o abono, é desfaçatez. Dizem que querem creches públicas, mas acabaram de despedir as amas da Segurança Social e de acabar com as creches sociais", apontou Catarina Martins.

A líder do BE afirmou que "o país precisa de boas notícias mas não de falsas promessas", reiterando que "o discurso de propaganda a pouco tempo das eleições é desfaçatez".

Sobre a prestação de contas dos deputados eleitos pelo Porto - Catarina Martins e João Semedo, entretanto substituído por José Soeiro - o BE indicou ter feito chegar ao Governo 2.032 perguntas e 166 iniciativas legislativas, tendo feito aprovar 16 delas.

"[Os deputados do Porto] bateram-se pelos direitos dos trabalhadores, pelo combate à precariedade, pelos transportes e pelos serviços públicos, contra a discriminação e pela resposta à pobreza e à emergência social no distrito do Porto", referiram os bloquistas, apontando exemplos de lutas levadas a cabo em vários locais, nomeadamente unidades empresariais como a CAMAC (Santo Tirso), a Cerâmica de Valadares (Vila Nova de Gaia), a AMBAR (Porto), a EFACEC (Matosinhos) ou a UNICER (Maia/Matosinhos), entre outras e outros concelhos.

"No distrito do Porto as pessoas que tinham em 2011 apoio de combate à pobreza eram mais de 100 mil e agora são metade. Precisamos de recuperar políticas de combate à pobreza no distrito, políticas de igualdade", apontou José Soeiro, destacando como uma das linhas que integrará um futuro manifesto do deputados do Porto para uma nova legislatura a luta em torno da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP).

"Apelamos a todos os deputados do distrito para que no próximo dia 22 seja possível anular a privatização dos STCP, uma concessão que prejudica o distrito do Porto e a mobilidade. É preciso contratar mais motoristas. Há autocarros que ficam parados durante horas porque não há motoristas para os conduzir e utentes que ficam sem serviço. Assim colocam-se utentes contra motoristas", descreveu Soeiro.

Já Catarina Martins, em jeito de resumo de um leque de ideias apresentadas hoje sobre a ação dos eleitos do BE pelo Porto, disse que a "coligação PSD/CDS-PP teve uma visão de empobrecimento do país", algo que tanto a porta-voz bloquista como Soeiro consideram que "prejudicou muito o Porto".

"O distrito do Porto é um dos distritos em que o empobrecimento, a precariedade, o desemprego têm pesado mais, mas também é o distrito em que muitas vozes se levantaram para que fosse diferente", referiram, reiterando os exemplos de conquistas que os "inspiram" para uma nova legislatura.

Lusa

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