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Ministério da Defesa critica posição do BE de Beja sobre exercício da NATO

O Ministério da Defesa Nacional considerou hoje que as declarações do Bloco de Esquerda (BE) de Beja contra o exercício da NATO "em nada ajudam ou servem os interesses nacionais".

Manuel Almeida

"Este tipo de posições públicas, de partidos com responsabilidade parlamentar, como é o caso do Bloco de Esquerda, em nada ajudam ou servem os interesses nacionais. Em especial numa época em que são várias as ameaças à segurança e à paz, na comunidade internacional em que Portugal se insere", lê-se numa nota do gabinete do ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco.

O BE de Beja afirmou-se hoje contra um exercício da NATO na cidade, referindo que "o povo português, já fustigado pela austeridade, dispensa jogos de guerra", que são "um desperdício inadmissível de recursos".

Num comunicado enviado à agência Lusa e intitulado "NATO não é bem-vinda em Beja", a coordenadora distrital do BE "manifesta o mais profundo desagrado" pela realização da primeira fase do exercício da NATO - "Trident Juncture 2015" no Regimento de Infantaria n.º 1 da cidade, desde o dia 03 deste mês e até sexta-feira.

"O povo português, já fustigado pela austeridade, dispensa jogos de guerra como o Trident Juncture 2015, um desperdício inadmissível de recursos, particularmente inoportuno durante a formação do novo governo", defendeu o BE, referindo que "Portugal é, ao que parece, um país soberano, não é um protetorado da NATO".

A mesma nota da Defesa vinca que "a realização deste exercício não tem qualquer relação com o atual momento de 'formação de um novo Governo', como sugere o Bloco de Esquerda".

O Ministério da Defesa Nacional recorda também que a realização deste exercício da NATO está previsto e "encontra-se em preparação desde maio de 2013" e "visa potenciar a contribuição efetivas das nações e a interoperabilidade das forças".

A nota lembra que Portugal é membro da NATO desde 1949.

"Para além do tratado internacional (...) retificado pelo Estado português, existe uma relação de amizade e confiança com os países membros desta organização", acrescenta.

O exercício da NATO 'Trident Juncture' decorre em Portugal, Espanha e Itália, havendo ligação com exercícios conduzidos na Bélgica, Canadá, Alemanha, Holanda, Noruega, no Oceano Atlântico e no Mar Mediterrâneo.

Além dos militares que participam diretamente no exercício (940 integrados na Força de Resposta da NATO e 2.016 e 2.220 nos meios complementares, Portugal disponibiliza ainda mais 3000 militares para funcionarem como forças de apoio, totalizando em cerca de 6.000 os efetivos portugueses envolvidos neste exercício.

Em Portugal, o exercício militar de grande visibilidade vai decorrer nas zonas de Beja, Santa Margarida, Tróia e Setúbal e contará, em território nacional, com mais de 10 mil efetivos de 14 países.

Lusa

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