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Especialistas debatem Acordo Ortográfico, por "uma verdadeira reforma"

Mais de duas dezenas de especialistas discutem o Acordo Ortográfico, a partir de segunda-feira, durante dois dias, uma iniciativa da Academia das Ciências, que quer debater "uma verdadeira reforma ortográfica".

"O que o português precisa é de uma verdadeira reforma ortográfica. Há muitos pontos que necessitam de revisão e que não estão contemplados no texto do Acordo Ortográfico", disse à Lusa uma das organizadoras do colóquio, a lexicógrafa Ana Salgado.

Ana Salgado respondia assim à questão de uma possível extemporaneidade da iniciativa, já que o Acordo Ortográfico entrou em vigor em 2011 e só agora a Academia o debate. É que, disse, não se trata de discutir o acordo de 1990 ou o de 1945, "porque recuar agora no Acordo Ortográfico seria um descalabro", mas sim porque "há a necessidade de olhar a ortografia, trabalhar novos documentos, estabelecer uma reforma ortográfica".

"Com esta iniciativa pretende-se envolver as comunidades científicas lusófonas e todos os interessados numa questão de transcendente importância para o futuro da língua portuguesa, no respeito e valorização das tradições nacionais, sem prejuízo de eventuais aproximações aconselhadas pelo uso comum do mesmo idioma em circunstâncias idênticas", diz a Academia de Ciências na apresentação do colóquio.

E Ana Salgado acrescenta que esta será a primeira de outras iniciativas sobre o mesmo tema, porque é preciso "abrir portas" e "ouvir opiniões".

"Ortografia e Bom Senso" é o tema da ação e, como salientou a responsável, junta pessoas que defendem o acordo de 1990, outras que consideram que devia ser revisto e outras que querem a sua abolição pura e simples.

Se, por um lado, está presente por exemplo Malaca Casteleiro, que defende o Acordo, estará também Ivo Barroso, liminarmente contra e que à Lusa lamentou que o documento tenha sido "negociado secretamente" e nunca discutido com os portugueses.

Para o professor e jurista, o Acordo é mesmo inconstitucional, já que os cidadãos portugueses nunca foram informados dele e, em 25 anos, apenas se fizeram dois debates, ambos no parlamento.

É por isso que, diz, o colóquio de segunda e terça-feira "será um evento histórico" e "uma oportunidade rara de as posições científicas prevalecerem sobre a retórica".

Lusa