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Liga lança petição pela igualdade no acesso ao rastreio e tratamento do cancro da mama

​A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) vai lançar hoje uma petição para acabar com as desigualdades no acesso ao rastreio, diagnóstico e tratamento das mulheres com cancro da mama que existem no país.

(SIC/ Arquivo)

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da LPCC, Vítor Veloso, afirmou que "não faz sentido nenhum que num país tão pequeno" como Portugal haja diferenças no rastreio de base populacional do cancro da mama.

"Verificamos que no centro todas as mulheres estão rastreadas, no norte já estão 82% e o rastreio continua a correr muito bem e no sul a situação é desoladora, comparativamente com as outras regiões", disse o oncologista, sublinhando que a LPCC "não pode estar de maneira nenhuma alheia" a esta desigualdade.

Questionado pela Lusa sobre as razões desta situação, Vítor Veloso disse que LPCC tem feito "todo o possível e o impossível" para que houvesse da parte das respetivas Administrações Regionais de Saúde "a vontade de realizar esse rastreio" o mais rapidamente possível.

"A verdade é que tem encontrado uma série de impedimentos por parte das ARS e provavelmente de outras entidades que são alheias e estão interessadas, provavelmente, também em fazer esse rastreio", lamentou.

Para acabar com as desigualdades que existem nesta área, a liga vai lançar a petição "Pela Equidade no Acesso ao Rastreio, Diagnóstico e Tratamento das mulheres com Cancro da Mama" que, segundo Vítor Veloso, tem "uma abrangência muito grande".

"Pretendemos que seja criada em sede de Parlamento uma comissão no sentido de avaliar de modo quase permanente a situação da oncologia nacional e, num caso particular, gostaríamos de chamar a atenção para o problema do rastreio e tratamento do cancro da mama", explicou.

Entre os objetivos da petição, que pode ser assinada até 01 de fevereiro em www.ligacontracancro.pt , estão também a "garantia de que, em casos de suspeita clinicamente demonstrada, exista acesso em tempo útil a um serviço hospitalar com capacidade de diagnosticar e tratar os doentes".

"No nosso país, infelizmente, há hospitais que tratam devidamente os doentes e fazem tudo muito bem, há outros que vão fazendo mais ou menos e há outros que não fazem absolutamente nada. Isto não pode acontecer", frisou Vítor Veloso, considerando que, do ponto de vista constitucional, esta situação "não é legal".

A petição, que será entregue na Assembleia da República em fevereiro, tem como embaixadores figuras públicas como Ana Garcia Martins, Adelaide de Sousa, Ana Rita Clara, Cláudia Semedo, João Moleira, Ricardo Araújo Pereira, Tony Carreira, Vanda Miranda e Vera Kolodzig, que apelam à colaboração dos portugueses para chegar às 50 mil assinaturas.

Vítor Veloso está convicto de que este objetivo vai ser atingido, porque a população "compreende que não pode haver desigualdades deste género no campo da oncologia".

"A população portuguesa deve ser tratada da mesma maneira", ter acesso igual aos rastreios, mas também ao diagnóstico, ao tratamento e a "medicamentos inovadores e eficazes".

Atualmente, surgem 6.000 novos casos de cancro da mama por ano, 16 novos casos por dia. Em 2014, foram realizadas mais de 279 mil mamografias a nível nacional, através do programa de rastreio da LPCC.

Lusa

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