sicnot

Perfil

País

António Vitorino e Jacques Delors apelam à união dos governos na luta contra terrorismo

O antigo comissário europeu António Vitorino, juntamente com o ex-presidente da Comissão Europeia Jacques Delors e vários nomes da política europeia apelaram hoje à união dos chefes de Estado e de Governo no combate à ameaça terrorista.

Na quarta-feira, 12 mortos e 11 feridos no ataque ao Charlie Hebdo; na sexta-feira, quatro reféns mortos durante um assalto a um supermercado judeu da capital francesa. Os números cruéis do terrorismo em França.

Na quarta-feira, 12 mortos e 11 feridos no ataque ao Charlie Hebdo; na sexta-feira, quatro reféns mortos durante um assalto a um supermercado judeu da capital francesa. Os números cruéis do terrorismo em França.

© Jacky Naegelen / Reuters

Num artigo publicado hoje no jornal Público, António Vitorino e Jacques Delors e os membros do Comité Europeu de Orientação 2015 do Instituto Jacques Dellors, entre os quais os portugueses Vitor Martins, ex-secretário de Estados dos Assuntos Europeus, e Maria João Rodrigues, ex-ministra da Qualificação e Emprego do Governo socialista de António Guterres.

"Apelamos aos chefes de Estado e de Governo para entenderem a dimensão destas crises sem precedentes a partir de uma visão política clara: devemos unir-nos para combater a ameaça terrorista, na Europa, como fora dela; os refugiados são vítimas, não são ameaças; e os europeus são suficientemente fortes para garantirem de forma duradoura o seu acolhimento e a sua integração", pode ler-se no início da missiva.

Com o título "Schegen está morto? Viva Schengen!", os membros do Comité Europeu de Orientação 2015, apelam aos chefes de Estado e de Governo para que desenvolvam "uma diplomacia mais pró-ativa para estabilizar a vizinhança europeia e aumentar a sua ajuda aos países que acolhem hoje a maioria dos sírios que pedem asilo (Turquia, Jordânia e Líbano), de modo a permitir que os refugiados fiquem na região de origem".

Os 39 membros do comité apelam também ao reforço dos controlos das fronteiras, intensificando a luta contra "os terroristas, as redes, os passadores e a criminalidade organizada" e também às trocas entre os serviços de polícia e de informações.

Os signatários lembram que os chefes de Estado têm ao seu dispor ferramentas europeias de cooperação policial e judicial para a luta contra o terrorismo, nomeadamente o Sistema de Informações Schengen, Europol, Frontex, Gabinete de Apoio para o Asilo, que devem ser utilizados perante a crise.

"Mobilizar estas ferramentas é indispensável por razões de eficácia -- um país que aja sozinho é impotente -, mas também para garantir a confiança mútua entre os Estados: todos devem estar convencidos de que nenhum entre eles negligencia a missão de fiscalização das nossas fronteiras comuns", referem.

Os subscritores recordam ainda que a grande maioria dos 141 artigos da convenção de aplicação do Acordo de Schengen têm como objetivo "organizar a cooperação policial e judicial entre as autoridades nacionais, uma cooperação tão útil que até países que não são membros, como o Reino Unido, quiseram participar".

"'Schengen' é, ao mesmo tempo, mais liberdade e mais segurança, dois avanços que devem ser consolidados paralelamente. Os atentados terroristas são muitas vezes perpetrados por nacionais, na Europa e lá fora, mas têm raízes internacionais: eles exigem, igualmente, soluções europeias e internacionais", expõem ainda.

Segundo os signatários da missiva, "os cobardes e chocantes ataques terroristas a Paris [a 13 de novembro passado] e o afluxo maciço de pedidos de asilo à União Europeia levantam questões de maior importância quanto à capacidade de assegurar o controlo efetivo das fronteiras exteriores, hoje comuns".

"Schengen é a condição da nossa segurança: para derrotar o terrorismo, a união faz a força, a desunião desarma-nos", sublinham.

No final da missiva, os 39 membros do Comité Europeu reforçam o apelo à união, frisando essa necessidade "face aos novos desafios, num espirito de cooperação e de solidariedade -- para que Schengen viva!".

Lusa

  • Leão de Ouro de Souto de Moura faz "muito bem à alma" dos portugueses
    1:53
  • "Sonho com um futuro melhor", o desejo de um jovem sírio em Portugal
    2:12

    País

    Mais de 50 jovens sírios chegaram esta madrugada a Lisboa, para iniciarem o novo ano letivo, em Portugal. Sonham com um futuro melhor. Sonham com uma educação melhor. Os 54 estudantes vieram ao abrigo do programa lançado pelo antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, que nos últimos anos já deu uma nova oportunidade a cerca de 200 alunos.

  • Na linha do triunfo
    16:49
  • Chamas do incêndio no Europa Park na Alemanha atingiram os 15 metros de altura
    0:57