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CGTP espera sensibilidade social do novo Executivo

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse hoje esperar que o novo Governo tenha sensibilidade social não só para ouvir, como para dar correspondência às propostas da central sindical, regozijando-se com a queda do executivo do PSD/CDS.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos. (Arquivo)

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos. (Arquivo)

MIGUEL A. LOPES / Lusa

Em declarações aos jornalistas numa concentração que hoje decorreu no Largo do Carmo, em Lisboa, sob o lema "A Constituição é para cumprir! Democratas e patriotas mobilizemo-nos!", Arménio Carlos considerou que a indigitação de António Costa como primeiro-ministro é "desde logo a confirmação de que finalmente a vontade maioritária do povo português e da maioria de deputados na Assembleia da República foi respeitada".

"O que esperamos é que este Governo que emana de uma maioria de deputados na Assembleia da República tenha a sensibilidade social para não só ouvir mas também para dar consequência e correspondência aquilo que são as nossas ideias e as nossas propostas", apelou, considerando que é preciso dar sequência às promessas feitas pelos partidos da esquerda do ponto de vista prático e legislativo.

Segundo o secretário-geral da CGTP, "as manifestações do próximo sábado que estão programadas para Braga, Porto e Lisboa são muito importantes porque aquele é o momento de regozijo coletivo face à queda definitiva do Governo do PSD/CDS".

"As reservas que o Presidente da República levantou não foram tanto em relação aquilo que pode ser feito pelo novo governo e pela nova Assembleia da República, foi sobretudo pela proposta que lhe foi apresentada não corresponder àquilo que eram os seus desejos e todos sabemos que os desejos do presidente passavam pela perpetuação do PSD e do CDS no poder", criticou.

Sobre a disponibilidade de diálogo da central sindical com o próximo Governo, o sindicalista garante que a CGTP sempre a teve com todos os executivos, à esquerda e à direita.

"O problema é que da parte do anterior governo nunca houve essa disponibilidade a não ser para colocar a CGTP perante factos consumados. Sempre estivemos e continuamos a estar disponíveis para dialogar e negociar com qualquer governo e com este", garantiu.

Para Arménio Carlos "o que é importante é que se dê resposta a outros problemas e outras questões que neste momento se colocam", naquilo que diz respeito à afirmação dos direitos e liberdades mas também aos valores de Abril.

"É um dia que é importante porque é resultado da luta que também tivemos e demos um contributo importante para esta decisão, mas é um dia de alerta geral para a necessidade dos trabalhadores não ficarem à espera daquilo que aconteça mas pelo contrário terem iniciativa e uma forte participação cívica para contribuírem para fazerem destes dias históricos", afirmou.

A revogação das normas gravosas da legislação laboral, a necessidade de dinamizar a contratação coletiva como instrumento de afirmação da democracia nas relações laborais e a distribuição da riqueza são medidas que devem ser tomadas na opinião da CGTP.

"É importante relembrar que este modelo baseado em baixos salários não se podem manter sob pena de se acentuarem as desigualdades e o empobrecimento", enfatizou.

Para Arménio Carlos é por isso um "momento de afirmação de que a mudança de política corresponde necessariamente aquilo que são novos desígnios e à valorização do trabalho".

O Presidente da República indicou hoje o secretário-geral do PS, António Costa, para primeiro-ministro, indica uma nota da Presidência da República em que é ainda referido que a continuação em funções do XX Governo Constitucional, liderado por Pedro Passos Coelho, em gestão "não corresponderia ao interesse nacional".

Lusa

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