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Redução do consumo de sacos de plástico leves foi medida positiva

Os portugueses reduziram muito a utilização de sacos de plástico leves devido à entrada em vigor da taxa, que acabou com a distribuição gratuita, e em algumas lojas a quebra ultrapassou 90%, uma medida "claramente positiva" para os ambientalistas.

SIC Arquivo

A nova taxa de dez cêntimos sobre os sacos de plástico, que entrou em vigor a 15 de fevereiro do ano passado, pretendia reduzir a utilização dos 466 para os 50 sacos por habitante e por ano, uma das mais elevadas da Europa.

A medida, avançada pelo anterior ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, tem como objetivo contribuir para o decréscimo da quantidade plásticos que estão a poluir o ambiente, com especial incidência nos oceanos.

Os sacos de plástico leves, com espessura inferior a 50 microns, anteriormente oferecidos nas lojas, principalmente nas caixas do hipermercados, rompem-se facilmente e desfazem-se em pequenas partículas que são ingeridas pelos peixes e aves marinhas, causando a sua morte, e acabam por chegar também ao prato dos consumidores.

Em resposta a questões da agência Lusa, o Minstério do Ambiente avança que, com base na informação disponível, "verificou-se uma redução significativa da utilização de sacos de plástico leves", embora não seja possível ainda saber quais os setores nos quais a redução foi mais acentuada.

No entanto, respostas de algumas lojas já recebidas pelo Ministério agora liderado por João Matos Fernandes refletem quebras acima de 90%, em áreas de negócio tão distintas como materiais de construção, material automóvel, vestuário ou alimentação.

Assim, entre os exemplos apresentados estão a Maxmat, com menos 97,4% de consumo de sacos de plástico leves, a Norauto, que reduziu 97,2%, a Calzedonia, com um decréscimo de 95,6%, ou o Aldi, com uma quebra de 91,9%. A Fnac regista a menor descida, com menos 83,6%.

Para Rui Bermekeier, da Quercus, a falta de dados sobre o comportamento do consumo após a entrada em vigor da taxa impede uma análise detalhada dos efeitos da medida, mas a observação do comportamento dos consumidores, principalmente em super e hipermercados, leva a concluir que houve uma redução da presença de sacos leves.

"Há uma migração para sacos mais grossos que, como são pagos, são mais valorizados pelos consumidores, embora não deixem de ser descartáveis", disse o ambientalista para quem esta medida "é claramente positiva" já que "evita a utilização de sacos que se degradam".

Os hábitos dos consumidores tiveram uma "mudança radical, passando a optar por sacos reutilizáveis", mas também por sacos do lixo, muitos dos quais reciclados o que lhes confere "uma valência ambiental", acrescentou.

A Sociedade Ponto Verde, responsável pela recolha e tratamento de embalagens, disse à Lusa que, de acordo com os dados que dispõe, há uma diminuição da presença de sacos de caixa nos resíduos e uma substituição por sacos de lixo (limpos) para levar os materiais ao ecoponto.

"No entanto, esta substituição de uns sacos pelos outros não tem impacto na reciclagem dos resíduos visto que são todos recicláveis", salienta a entidade.

Lusa

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