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Investigadores portugueses criam protótipo para monitorização oceânica

Investigadores portugueses estão a desenvolver um sistema autónomo para monitorizar os diferentes componentes dos oceanos e verificar as alterações na biodiversidade, os impactos no clima e as anomalias ambientais, o que vai permitir uma gestão sustentável desses recursos.

© Ricardo Moraes / Reuters

Em declarações à Lusa, a investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), Catarina Magalhães, explicou que o protótipo multitrófico MarinEye é uma nova abordagem de observação para compreender "a complexidade dos processos de interação físicos, químicos e biológicos que influenciam a estabilidade dos oceanos".

"A vida no planeta está dependente de processos oceânicos, uma vez que são eles que produzem grande parte do oxigénio disponível na Terra, regulam o clima e fornecem vários recursos vivos e não vivos, como alimentos, energia, transporte ou medicamentos", acrescenta Catarina Magalhães, que lidera a investigação.

Este projeto divide-se em quatro módulos, nos quais é possível observar e interpretar componentes oceânicos físicos, químicos, bioquímicos e biológicos ao mesmo tempo, em diferentes níveis tróficos, desde microrganismos a mamíferos marinhos, através da utilização de tecnologia avançada, lê-se em comunicado.

O primeiro módulo dedica-se à medição de parâmetros como a temperatura, a salinidade, o oxigénio dissolvido, o pH (indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução aquosa), entre outros, através de um sistema de sensores físico-químicos, e à mediação de dióxido de carbono dissolvido, recorrendo a uma plataforma de sensores óticos.

O módulo seguinte é composto por um sistema de filtração autónomo, desenhado para filtrar água, que retém e preserva no filtro o DNA (informação genética) de diferentes classes de tamanho das comunidades de microrganismos que habitam e representam a maior biomassa dos oceanos.

No terceiro módulo vão ser recolhidas imagens de fito e zooplâncton, para avaliar a sua quantidade e biodiversidade, com recurso a um sistema de imagem de alta resolução.

A última fase é destinada à recolha de dados hidroacústicos para obter informação relativa à presença de mamíferos marinhos e estimativas de quantidades de peixes, através de um sistema de acústica.

Para a criação do protótipo MarinEye vão ser conjugados os módulos e os dados obtidos nas diferentes etapas, num sistema integrado autónomo, ao qual vai estar associado um software para visualizar e sumariar os dados bem como desenvolver uma série de modelos para integração e identificação inter-relações entre os diferentes parâmetros.

"O tipo e a quantidade de informação que o MarinEye vai possibilitar aceder, poderá ser uma base para a construção de um sistema de gestão dos recursos marinhos mais eficiente, assegurando assim a proteção deste meio para as gerações presentes e futuras", mostra Eduardo Silva, coordenador do Centro de Robótica e Sistemas Autónomos do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), que colabora no projeto.

A investigação conta ainda com a participação dos investigadores Antonina dos Santos, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e Sérgio Leandro, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente - Politécnico de Leiria (MARE - IPLeiria).

O projeto foi iniciado em setembro de 2015 e termina em abril de 2017, tendo sido financiado pelo programa EEA Grants, em cerca de 400 mil euros.

Lusa

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