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Catarina Martins diz que o país não pode ser um "off-shore laboral"

A líder do Bloco de Esquerda disse hoje que é preciso combater o "offshore' laboral" e recusou pressões europeias para manter inalterado o salário mínimo, defendendo o trabalho com direitos.

PAULO CUNHA

"Há quem ache que Portugal devia aceitar os baixos salários e que não deve aumentar o salário mínimo porque a produtividade não aguenta. O modelo de salários baixos e produção pouco qualificada pode dar jeito a algum país do centro da Europa, mas o percurso que temos de seguir é o de investir na qualificação e valorização profissional, porque temos de dar expectativas aos nossos jovens para não saírem do país", disse.

Catarina Martins falava na Universidade de Aveiro, onde participou num debate sobre o Programa Nacional de Reformas, que "é debatido democraticamente no parlamento, ao contrário do secretismo de que fala Passos Coelho".

A representante do BE advogou que "o salário tem de ser protegido como garante real da distribuição da riqueza, observando que, com a crise, o salário médio nacional desceu cerca de 30%, apesar do aumento da produtividade".

Para Catarina Martins a qualificação das pessoas, um dos pilares do Programa Nacional de Reformas, implica uma escola pública "forte", dotada de recursos: "apesar de a percentagem ser inferior à média europeia, até há quatro anos tínhamos mais alunos a entrar nas universidades e temos de voltar a ter. Precisamos de mais pessoas com formação superior".

"Temos de reter as pessoas que formamos. Em quatro anos saiu meio milhão e quando temos trabalho mal pago, sem direitos, estamos a mandar as pessoas embora", disse, defendendo que "o combate à precariedade é outro dos pilares para travar a saída do País".

No período de perguntas da assistência, a líder do Bloco de Esquerda criticou a Comissão Europeia por considerar necessário que Portugal corte a despesa em mil milhões de euros, considerando que se trata de "uma exigência sem sentido, de fanatismo ideológico a que não se deve dar ouvidos".

"A Comissão Europeia, com uma execução orçamental desastrosa no final do ano passado, impôs ao País perder três mil milhões de euros com o Banif e estava tudo bem. Agora no primeiro trimestre do ano, ainda sem conhecer as contas, acha que é preciso cortar mil milhões de euros nas pessoas? Quando o que diz a Comissão Europeia não tem sentido, não lhe devemos dar ouvidos" disse.

Catarina Martins lembra que foi feito um acordo à esquerda para a recuperação de rendimentos e proteção do Estado Social, pelo que a coesão da maioria está garantida.

"Não agrada à Comissão Europeia, mas temos pena: foi o voto das pessoas em Portugal que o decidiu e não é a Comissão que escolhe as maiorias parlamentares", concluiu.

Lusa

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