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Suinicultores revoltados admitem organizar novo protesto

O suinicultor ferido durante os confrontos da madrugada em Alcobaça já recebeu alta hospitalar disse à Lusa João Correia, porta-voz dos manifestantes, admitindo que os protestos vão continuar.

CARLOS BARROSO/ LUSA

"Vamos voltar ao protesto. O tratamento que tivemos ontem (terça-feira) pelas forças da ordem só vem dar ênfase para que as pessoas se manifestem", disse João Correia, acrescentado, no entanto, que a nova manifestação ainda não começou a ser organizada.

O último protesto juntou meia centena de suinicultores desde as 14:00 de terça-feira e terminou por volta das 01:30 de hoje, depois de dois cortes da Estrada Nacional 1, dos quais resultaram duas detenções e um ferido.

Dois manifestantes foram detidos, tendo um deles ficado ferido durante os confrontos com a GNR, cerca das 23:30, durante o segundo corte da estrada, onde os suinicultores despejaram cargas de brita, condicionando a passagem do trânsito.

"A pessoa que ficou ferida já está em casa. Teve alta hospitalar. Ao contrário do que dizem os agentes da autoridade, ele não caiu. Ele foi puxado e agredido diretamente por um agente do Corpo de Intervenção da GNR. Caiu pelo puxão que levou. Além das bastonadas que levou, tem a boca rasgada", disse o porta-voz dos manifestantes.

João Correia afirmou ainda que pediu ao presidente da Federação Portuguesa dos Suinicultores para que os acontecimentos das últimas horas "não passem em claro", considerando que é precisa uma tomada de posição "para a consciencialização" do poder político sobre a "gravidade" dos acontecimentos.

"O ministro da Agricultura assobia para o lado. Temos tentado pedir à Administração Interna para pôr um bocadinho de água fria em cima dos seus homens para que não nos provoquem e o que tem acontecido ultimamente é que temos sido claramente provocados pelas forças da ordem", acrescentou João Correia.

O protesto teve início às 14:00 de terça-feira com a realização de um plenário nas proximidades da Benedita, no concelho de Alcobaça, tendo os produtores de carne de suíno rumaram a Rio Maior, concentrando-se junto à empresa Carnes Nobre, uma das maiores indústrias de produtos transformados.

A concentração decorreu de forma pacífica até às 19:00, hora a que terminou uma reunião entre a administração da empresa e quatro elementos do gabinete de crise, recebidos pelos responsáveis da unidade.

Dois dos manifestantes saltaram o muro e tentaram invadir a fábrica, em confronto com elementos do Pelotão de Intervenção Rápida do Comando Territorial da GNR de Santarém, que desde o início do protesto se encontrava no pátio da empresa.

Os suinicultores, munidos de bandeiras e entoando palavras de ordem a exigir a demissão do Ministro da Agricultura, Capoulas Santos, deslocaram-se depois para Vendas das Raparigas, na freguesia de Benedita, onde recorreram a camiões para impedir a passagem do trânsito.

Os suinicultores despejaram brita numa das faixas, impedindo o trânsito no sentido sul-norte e durante mais de meia hora os carros circularam de forma bastante lenta, sob orientação da GNR.

Lusa

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