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Quatro dias só com energia renovável em Portugal é notícia na Europa

Durante quatro dias consecutivos - num total de 107 horas - o consumo de eletricidade em Portugal foi totalmente assegurado por fontes de energias renováveis. Um marco de emissões zero que é notícia na imprensa europeia.

(AP/Arquivo)

(AP/Arquivo)

O britânico The Guardian publica hoje a notícia que a associação ambientalista Zero divulgou no domingo, dando conta de que entre as 6:45 de 7 de maio até às 17:45 de 11 de maio, Portugal foi totalmente abastecido por energia proveniente do sol, do vento e da água.

Durante este período, explicou a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável em comunicado, "não foi preciso recorrer a nenhuma fonte de produção de eletricidade não renovável, em particular à produção em centrais térmicas a carvão ou a gás natural".

Especialistas contactados pelo The Guardian congratularam-se com a notícia, sublinhando ser "um feito significativo para um país europeu". "A Península Ibérica é uma excelente fonte de (energias) renováveis, não só para a região como para toda a Europa", afirmou o porta-voz da associação de comércio Wind Europe.

"Enormes reduções das emissões de gases com efeito de estufa"

A Zero acrescentava que as fontes de produção de eletricidade renovável e a capacidade de gestão da rede elétrica portuguesa "ultrapassaram uma difícil prova num contexto de diminutas interligações, principalmente entre Espanha e França", conseguindo que as necessidades do consumo do país tivessem sido asseguradas a 100% a partir de fontes de produção de origem renovável.

Conseguiram ainda exportar uma percentagem significativa de eletricidade, quer de origem exclusivamente renovável, quer complementada nalguns casos por fontes não renováveis.

"Se chuva e vento permitem estes recordes na primavera, torna-se imperioso fomentar e avaliar as mais-valias do aproveitamento da energia do sol e, assim, assegurar que no verão também venhamos a ter contribuições significativas de fontes de energia não emissoras de gases poluentes", defendem os ambientalistas.

Para a associação, estes dados mostram que "Portugal pode ser mais ambicioso" numa transição para um consumo líquido de energia elétrica 100% renovável, com enormes reduções das emissões de gases com efeito de estufa, causadoras do aquecimento global e consequentes alterações climáticas.

Um maior uso da eletricidade como energia final, tendo por base um incentivo que deve ser dado à mobilidade elétrica (o setor dos transportes é o principal setores responsável pelas emissões portuguesas), é igualmente uma variável fundamental na descarbonização da economia, salienta.

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