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Carlos César nega Governo refém do Bloco e PCP e recusa entrar num "caldeirão" com PSD

O presidente do PS considera que o Governo não depende de ninguém porque depende de todos, recusa que os socialistas se encontrem "reféns da extrema-esquerda" e entende que pior seria entrar num "caldeirão" com um PSD "neoliberal".

Lusa

Lusa

MIGUEL A. LOPES

Em entrevista à agência Lusa, Carlos César rejeita as críticas feitas pelo eurodeputado socialista Francisco Assis, segundo as quais a capacidade reformista do Governo do PS estará bloqueada pelo Bloco de Esquerda e PCP.

"O PS não é refém nem do Bloco de Esquerda nem do PCP, nem queremos que esses partidos sejam reféns do PS", contrapõe o líder parlamentar socialista.

Carlos César, no entanto, adverte que os enquadramentos políticos são sempre diferentes consoante se está num Governo com maioria absoluta ou num Governo dependente de maiorias à direita ou à esquerda.

Por isso, "governar numa situação em que não se tem maioria absoluta é necessariamente compatibilizar objetivos da governação e métodos de governação com partidos dos quais dependemos em votações consideradas cruciais. Agora, nesta circunstância, pode ser com o PCP e com o Bloco de Esquerda, como também pode ser com o PSD e com o CDS", aponta o presidente dos socialistas.

Ou seja, segundo Carlos César, "o PS só terá uma agenda exclusivamente sua se depender exclusivamente de si próprio".

"Se estivesse coligado à direita, dependeria do PSD e do CDS. Estando coligado à esquerda, então tem de compatibilizar a sua agenda governativa com objetivos acordados de forma transparente com o PCP e com o Bloco de Esquerda", advoga, antes de frisar que o compromisso assumido pelo seu partido "é multifacetado, desde logo o que resulta dos programas eleitoral e de Governo, este último aprovado na Assembleia da República".

"Em outra dimensão institucional, o compromisso do PS resulta do Programa Nacional de Reformas, do Programa de Estabilidade e do Orçamento do Estado para 2016. Em outra dimensão, ainda, o nosso compromisso resulta, por um lado dos acordos com o Bloco de Esquerda e com o PCP - que elencam um conjunto de matérias em que exclusivamente temos contratado com esses partidos (não quer dizer que não votemos com eles em outras matérias, mas não depende disso o apoio ao Governo da parte deles) - e, por outro lado, resulta dos compromissos com a União Europeia", refere.

De acordo com a tese do presidente do PS é na "junção de todas estas plataformas de intervenção e deste conjunto de obrigações que o PS governa".

"Não estamos nas mãos de ninguém. Estamos nas mãos de todos. Como em democracia e no quadro da integração europeia se justifica e se impõe", conclui.

Carlos César rejeita a existência de qualquer "desvio de esquerda" na atual linha do PS e adverte que "o pior erro dos partidos socialistas e sociais-democratas europeus foi justamente o de não se fazerem distinguir da direita neoliberal".

"Fizemos um imenso caldeirão com esses setores, promovendo (como é visto por esses países fora) o extremismo à direita e à esquerda com esse centro incaraterístico e indistinto. Aquilo que propomos em Portugal é que a direita neoliberal ocupe o seu lugar e o PS o seu", defende.

O presidente do PS acredita mesmo que há "uma linha de fratura grande entre a direita neoliberal, que hoje povoa e domina por exemplo a direção do PSD, e a esquerda onde o PS pontua".

"Enquanto o PSD o demonstrou no Governo e demonstra na Europa que entende a desigualdade como o fermento da competitividade e do crescimento, há partidos que contrapõem a esse conceito o do máximo de igualdade para que esse crescimento seja consistente e tenha sustentabilidade. Essa é a grande fronteira entre a direta e esquerda e direita do nosso tempo - e nós estamos do lado da esquerda do nosso tempo e não podemos recuar a um tempo em que os partidos socialistas e sociais-democratas se fundiram e se descaraterizaram nesse processo", insiste.

Questionado se não se incorre em sectarismo ao reduzir-se o PSD ao neoliberalismo, Carlos César alega que, "assim como há pessoas dentro do PS com uma tendência mais conservadora na avaliação dos costumes ou na avaliação da economia e do papel do Estado, o mesmo acontece nos outros partidos".

"Mas o que acontece neste momento é que no PSD pontua a direita neoliberal e os setores que têm vindo a desgraçar a Europa com uma política de austeridade intensiva que tem sonegado em muitos países as potencialidades de crescimento e de maior coesão social", argumenta o presidente do PS.

Lusa

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