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APAV lança campanha de prevenção de abusos sexuais de crianças e jovens

O relatório anual 2015 da APAV refere que 54,6% das vítimas são meninas, com uma média de idade de 9,9 anos, sendo que 23,8% frequenta o pré-escolar e 23,6%, o primeiro ciclo.

© Neil Hall / Reuters

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) lança hoje uma campanha de prevenção de abusos sexuais de crianças e jovens, apelando à denúncia deste crime, para que possa ser investigado e a criança apoiada.

A campanha é lançada no dia em que a APAV apresenta o projeto CARE, uma rede de apoio especializado a crianças e jovens vítimas de violência sexual que apoiou, desde que foi criada em janeiro, 103 crianças.

Em declarações à agência Lusa, o gestor da Rede CARE, Bruno Brito, explicou que "um dos objetivos da rede, além do apoio, é sensibilizar a comunidade de que estes crimes existem e devem ser denunciados de modo a que possam ser investigados e as crianças apoiadas".

"A campanha terá o propósito de não haver um silêncio dos crimes", sensibilizando para os seus efeitos nas crianças e famílias e dando a conhecer "alguns sinais envolvidos na violência sexual", para que sejam denunciados, disse Bruno Brito.

Outro dos objetivos da campanha é que pessoas compreendam que podem confiar "no sistema como uma solução para o problema criado", explicou.

"A ideia que temos, até pelos casos que começámos a receber, desde que a rede foi criada", é que "alguns crimes ainda são escondidos dentro da família, apesar de serem crimes públicos e de terem de ser investigados", sublinhou.

Apesar de considerar que as pessoas estão "um pouco mais interventivas" na denúncia destes crimes, Bruno Brito disse que ainda não está ao nível do desejado.

"As pessoas estão mais sensíveis para este tipo de criminalidade e para o impacto que este tipo de crime pode provocar nas crianças, mas ainda há algum trabalho a fazer", defendeu.

"Há casos que são preocupantes e que nós sabemos que não estão a ser denunciados e que deveriam de ser", sustentou o responsável, explicando que são crimes que, na maior parte das vezes, ocorrem dentro da família e que a sua revelação irá provocar a desestruturação da família.

Esta situação é "difícil de perceber para as famílias, mas elas têm de entender que é o superior interesse da criança que está em jogo e que se o crime não for denunciado os efeitos a longo prazo serão sempre mais nefastos", frisou.

Para o gestor da rede, é preciso sensibilizar a comunidade para que "o que estes crimes podem provocar, o que está em risco e o que é que o sistema de apoio à vitima e o sistema judicial podem fazer por estas famílias e por estas crianças".

"A nossa ideia é que ainda existe muita desinformação sobre como é que o sistema opera, como é que as pessoas podem ser apoiadas e isto às vezes inibe as pessoas de procurarem ajuda", acrescentou.

Uma das missões da rede é prestar apoio jurídico, informando sobre como interagir com o sistema judicial, apoiando na apresentação de queixa ou na realização de pedido de indemnização e até no acompanhamento em diligências.

"Estamos a fazer um esforço para que seja um projeto exemplar na forma como está a trabalhar em prol das crianças e esperamos que seja uma rede que não se extinga com o projeto, mas que perdure dentro do sistema e que venha a ser reforçada", sublinhou Bruno Brito.

Lusa

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