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Há mais utilizadores de bicicleta em Lisboa e o número de ciclovias vai duplicar

MÁRIO CRUZ/LUSA

Lisboa projeta aumentar substancialmente os quilómetros de ciclovia na cidade, criando percursos seguros e cómodos para o crescente número de utilizadores da bicicleta como meio de transporte ou de lazer.

A rede de ciclovias prevista para a cidade está disponível na site da Câmara Municipal e, segundo o presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), até junho ou julho de 2017, Lisboa terá "mais do dobro do que já existe" em termos de ciclovias.

Para José Manuel Caetano, "o que está em execução (...) vai permitir que exista uma rede muito importante" de pistas no concelho.

"Já não somos um mau exemplo para a Europa" e "já não é por faltas de ciclovias que as pessoas não andam de bicicleta", disse este responsável à agência Lusa, face às novas vias previstas para a cidade.

"Ando nesta luta há 30 anos e considero que a situação atual é o paraíso, comparado com há 10, 15 anos, em que só havia uma ciclovia na zona ribeirinha, pintada pela Administração do Porto de Lisboa, que nem sequer fazia respeitar aquela sinalização", afirmou o presidente da FPCUB.

Atualmente, "há cerca de 60 quilómetros de ciclovias em Lisboa, mas vários [troços] estão em obras", disse à agência Lusa João Camolas, assessor do vereador José Sá Fernandes.

Esta fonte avançou que existe um plano que prevê o alargamento desta rede, embora não consiga antecipar quantos quilómetros mais.

"Há um objetivo de desenvolver esta rede e alargar não só as ciclovias, mas também outro tipo de soluções cicláveis, um pouco por toda a cidade", afirmou, acrescentando que estão em curso várias obras que contemplam estas vias, como é o caso de "todo o Eixo Central e da Alameda dos Oceanos".

MÁRIO CRUZ/LUSA

Entretanto, para o presidente da FPCUB, uma atividade que tem aumentado nos últimos anos é a de aluguer de bicicletas. Cada vez mais "pessoas chegam a Lisboa a perguntar onde é que as podem encontrar", disse José Manuel Caetano, acrescentando que, "no passado, isso não acontecia e só mostra que o mercado está a crescer".

"Não tenho números que me digam que há muitos mais espaços para alugar bicicletas, mas não é só em Portugal que há uma tendência para que as mesmas ocupem um lugar como um meio de transporte. É uma tendência global", disse, por seu turno, João Camolas.

As razões pelas quais as pessoas optam pela bicicleta são o facto de "ser mais prática, ambientalmente melhor, mais rápida e económica", admitiu esta fonte, ao mesmo tempo que apontou as vantagens "para a saúde", não escondendo que a criação de infraestruturas tem como consequência o incremento do número de utilizadores.

Bikeiberia é uma das empresas existentes na cidade que se dedica ao aluguer deste meio de transporte alternativo, dispondo de cerca de 100 bicicletas com diferentes funcionalidades: para andar na montanha, na cidade, elétricas ou de carbono, entre outras.

Além de possibilitarem o aluguer de bicicletas a partir de 14 euros por dia, também realizam passeios guiados a partir de 30 euros por meio-dia.

"As pessoas que estão de visita à cidade" são aquelas que mais recorrem aos serviços, disse Tânia Caldas, desta empresa, adiantando que também a utilização da bicicleta "em deslocações para o trabalho tem vindo a aumentar" em Lisboa.

MÁRIO CRUZ/LUSA

De acordo com esta análise está um dos responsáveis pela Belém Bike, empresa que vende e aluga bicicletas. "Este ano houve um grande aumento de vendas para deslocações para o trabalho", disse Dário Henriques.

Já na Rcicla, são prestados serviços de tours e eventos corporate, assim como o aluguer de bicicletas "para quem quiser viajar por Portugal", avançou Vítor Peixoto.

Os turistas estrangeiros são os que mais recorrem aos serviços, bem como "as empresas que pretendem organizar eventos com os seus colaboradores", disse este responsável, adiantando que, em situações pontuais, também "as famílias que pretendem passear calmamente junto ao rio" recorrem ao aluguer.

"Estamos no bom caminho em relação à quantidade de ciclovias [existentes na cidade]", adiantou, sublinhando, no entanto, que as mesmas continuam a ser construídas tendo em conta o uso feito pelas pessoas, "que pretendem correr e, também, passear com os seus animais".

Para Vítor Peixoto, "há uma crescente procura da bicicleta como meio de transporte alternativo ao automóvel, e até mesmo aos transportes públicos".

Há, ainda, quem alugue acessórios, como sapatos de encaixe, por cinco euros ao dia, GPS e tendas por 20, kayaks insufláveis por 100 euros. É o caso da Ring a Bike.

António Filipe, desta empresa, disse que as pistas em Lisboa ainda não são suficientes e alertou para "a falta de civismo dos automobilistas, que não partilham corretamente o espaço na via rodoviária".

Lusa