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Rapaz de 14 anos morre em demolições polémicas nos arredores de Luanda

A organização não-governamental angolana SOS Habitat denunciou esta segunda-feira a morte a tiro de uma criança, supostamente por um militar, na sequência de um processo de demolições de milhares de casas na zona do Zango III, arredores de Luanda.

O coordenador de direção da SOS Habitat, Rafael Morais, disse que aquela organização de defesa dos direitos da habitação está a acompanhar de perto a situação, que considerou "altamente lamentável".

O ativista referiu que as demolições, assunto que está a ser fortemente questionado na sociedade angolana, tiveram início no dia 31 de julho.

Desde essa data a organização tem realizado várias ações no sentido de perceber o que está na base desses atos, atribuídos pelos moradores à Zona Económica Especial e a sua execução a cargo de militares.

Segundo Rafael Morais, a SOS Habitat está a trabalhar com a comunidade, tendo já feito deslocações à Zona Económica Especial e à administração municipal de Viana.

Rafael Morais disse que dos contactos efetuados apenas foram atendidos pelo gabinete jurídico da administração municipal de Viana, onde foram informados que é do seu conhecimento o processo de demolições, mas as razões apenas o administrador está em condições dar.

Na administração municipal de Viana, a SOS Habitat ficou a saber de outras demolições na zona do Zango II, porque alguns moradores ali se encontravam para reclamação.

"Peguei essas vítimas e fomos a um bairro chamado Walale e vimos que a maior parte das demolições foram dirigidas para obras, que estavam a ser erguidas aí, algumas não foram partidas, porque os donos se encontravam no local e supostamente deram algum dinheiro aos senhores que estavam lá a demolir", avançou o responsável.

De acordo com Rafael Morais, as demolições continuaram até sábado, dia em que um menor de 14 anos foi baleado por um militar quando reclamava sobre a demolição das casas.

"Apercebi ontem (domingo) quando estava na igreja e dali desloquei-me para esse bairro, onde fui até à casa do óbito confirmar realmente a morte do rapaz de 14 anos", contou.

Os familiares da vítima informaram que o cadáver foi alegadamente levado por militares para parte incerta, depois de dispararem para dispersar os populares ao redor e apenas no sábado o corpo foi localizado numa morgue de Luanda, registado "como uma criança desconhecida que foi morta a tiro".

"Hoje fomos à morgue com os familiares (...) fez-se o registo oficial e mantém-se (o corpo) na morgue do (hospital) Maria Pia, sem condições para o funeral", disse Rafael Morais.

"A SOS Habitat vai avançar para outros passos, para a justiça, para que a justiça seja feita. Vamos ajudar a família a arranjar um advogado no sentido de poder saber o que é se passou ou de encontrar o autor do disparo contra o rapaz", disse.

Rafael Morais disse que no Zango II mais de 2.500 famílias foram afetadas pelas demolições e no Zango III mais de 620 residências.

Lusa

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