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Arouca lamenta que municípios não tenham domínio sobre espaço florestal

ESTELA SILVA

O presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, disse que o incêndio que começou no sábado na Serra da Freita deixou um "cenário de tragédia", lamentando que os municípios não tenham o domínio do espaço florestal.

Em declarações à Lusa, o autarca fala em milhares de hectares de floresta ardidos, realçando que "não há histórico com dimensão idêntica a esta catástrofe".

"O espaço natural mais emblemático que temos está com aspeto horroroso. É uma tristeza imensa", afirmou José Artur Neves, adiantando que a grande preocupação é a falta de pasto para os animais, nas aldeias serranas.

O presidente da Câmara de Arouca deixou ainda críticas à forma como o Estado gere o espaço florestal, afirmando que os terrenos não são limpos porque "os proprietários não têm dinheiro para limpar seja o que for e também ninguém os obriga".

"80% do nosso concelho é área florestal e não temos nenhum domínio sobre esse território", lamentou o autarca, adiantando que essa tarefa está entregue ao Estado, através do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

Para o presidente da Câmara de Arouca, isto "não faz sentido nenhum", porque este organismo "não tem meios humanos, nem materiais para ir a todo o lado fiscalizar e obrigar os proprietários a ter as matas limpas, como deve ser".

"Se nos entregassem a gestão dessa área, nós teríamos muito melhores condições de conservar a natureza e a floresta, se nos dessem o recurso que a administração central gere", concluiu.

O incêndio que deflagrou cerca das 19:00 de sábado na freguesia de Rossas, Arouca, foi dado como "dominado" às 13:37, segundo o comandante Operacional de Agrupamento Distrital Centro Sul, Joaquim Chambel.

Ainda no concelho de Arouca, há um incêndio que está a lavrar há mais de 24 horas na zona de Janarde e que, segundo o presidente da Câmara de Arouca, está "muito difícil".

"Conseguiu evitar-se que o fogo avançasse para o Vale do Paiva. As chamas estão a progredir na direção de S. Pedro do Sul, no distrito de Viseu, e voltaram a atacar a aldeia de Silveiras e um lugar de Cortegaça, onde não há habitantes. Temos ainda muito tempo de trabalho", disse o autarca.

O presidente da Câmara mostrou-se ainda preocupado com os "poucos recursos" para combater este incêndio, adiantando que o maior risco são os reacendimentos, porque "não há condições de fazer rescaldo".

Este fogo, com uma frente ativa, faz parte das "ocorrências importantes", assim designadas pela Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) porque decorrem há mais de três horas e mobilizam mais de 15 meios de socorro.

De acordo com a informação da página da ANPC, atualizada às 17:30, o incêndio que deflagrou às 14:35 de segunda-feira, nas freguesias de Covelo de Paivó e Janarde, está a ser combatido por 57 homens, apoiados por 17 viaturas e dois meios aéreos.

Lusa

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