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Portugal já acionou sete vezes mecanismo europeu de proteção civil

© Duarte Sa / Reuters

Portugal já acionou sete vezes o mecanismo europeu de proteção civil, a última delas esta quarta-feira, e sempre para fazer face a incêndios, mas também já participou na ajuda a outros países, como Espanha ou Grécia.

O mecanismo europeu de proteção civil, criado em 2001, é uma bolsa de meios disponibilizados pelos Estados-membros da União Europeia (UE), que permite que outros peçam ajuda em casa de necessidade, por exemplo, incêndios, cheias ou sismos.

Participam no mecanismo os 28 Estados-membros, Montenegro e Noruega. Segundo a página oficial da UE, está em curso o processo de renovação da participação no mecanismo da antiga República Jugoslava da Macedónia, e Turquia e Sérvia assinaram recentemente acordos para preparar a sua adesão ao mecanismo.

A primeira vez que Portugal pediu ajuda à Europa foi no início de agosto de 2003, quando incêndios de grandes dimensões devastavam floresta, especialmente nos distritos de Portalegre e Castelo Branco. A 2 de agosto desse ano o então ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, dizia tratar-se "de uma das piores situações de catástrofe dos últimos 20 anos".

Dois anos depois (2005), também em agosto, Portugal voltava a solicitar a ajuda dos parceiros, perante 134 mil hectares de floresta consumidos (até 22 de agosto) e várias de centenas de incêndios. Espanha mas também Itália e França fizeram chegar de imediato meios aéreos.

Em 2009, a Comissão Europeia voltou a ativar o mecanismo comunitário de proteção civil, em resposta a um pedido de Portugal. O pedido seguiu em agosto, devido à proliferação de incêndios florestais e o país recebeu o apoio imediato de dois aviões Canadair.

No ano seguinte, novamente depois de um pedido de Portugal, chegavam ao país, desta vez no fim de julho, mais dois aviões italianos de combate a incêndios, direcionados para as regiões mais afetadas.

Em Viseu e Braga, as chamas estavam nessa altura a ser combatidas também com o auxílio de meios espanhóis. No final de julho de 2010 as chamas fustigavam ainda os distritos de Vila Real, Aveiro, Viana do Castelo e Porto.

Em setembro de 2012, Portugal voltaria a pedir ajuda, face a centenas de incêndios (224 só no dia 03 de setembro), combatidos por milhares de bombeiros. Espanha e França disponibilizaram quatro aviões anfíbios pesados, mas nem assim se impediu que ardessem mais de 100 mil hectares e que morressem seis pessoas, quatro delas, bombeiros.

No final de agosto de 2013, seguiria para Bruxelas novo pedido de aviões Canadair, para combater incêndios de grandes dimensões, depois de outros já estarem em Portugal, ao abrigo de acordos bilaterais. Franceses e croatas responderam à chamada.

Só nesse mês registaram-se mais de 7.000 incêndios, que consumiram mais de 120 mil hectares de floresta e mataram nove pessoas. Num incêndio de agosto desse ano, morreram oito bombeiros e um civil, ficando feridos outros oito bombeiros.

O mecanismo europeu de proteção civil já foi acionado dezenas de vezes, e não só para fazer face a catástrofes dentro da Europa, tendo Portugal contribuído em algumas delas.

Inundações na Europa e nos Balcãs, um tufão nas Filipinas, epidemia de ébola na África Ocidental, um sismo seguido de tsunami no Japão ou a guerra na Síria são casos em que o mecanismo foi acionado.

No ano passado, a Croácia, perante um crescente afluxo de refugiados, ativou o mecanismo de proteção civil, algo que a Grécia também fez.

Através do mecanismo europeu, Portugal já ajudou a Espanha no combate aos incêndios, em 2006, ou a Grécia, no ano seguinte.

Em 2014, esteve a apoiar Cabo Verde, perante a erupção do vulcão da ilha do Fogo, e já tinha estado a prestar assistência quando de sismos no Haiti, Irão e Marrocos.

Lusa

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