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Arcebispo Zani lembra que mãe de Jesus foi "uma migrante"

O arcebispo Angelo Vincenzo Zani, que preside à peregrinação do Migrante e do Refugiado do Santuário de Fátima, lembrou que Maria, a mãe de Jesus, foi "uma migrante, que andou sempre na periferia".

O arcebispo, que é o secretário da Congregação para Educação Católica da Santa Sé, realçou que Maria, que fugiu para Nazaré, para o Egito, e, mais tarde, para Éfeso, "estabeleceu sempre casa".

O bispo de Beja, António Vitalino, responsável pela Pastoral da Mobilidade Humana, afirmou que se deve "evitar o radicalismo, cultivando os valores cristãos que são evangélicos, e que nos ajudam a resolver estes mesmos problemas", mas advertiu, que se deve ter responsabilidade no acolhimento.

O prelado afirmou que quem é acolhido deve ser integrado, respeitado como pessoa, "e não pode ser de forma irracional", ao "não ter uma resposta que ajude aquelas pessoas a estarem incluídas nas nossas sociedades, mesmo não tendo uma religião diferente".

"Os cristãos não olham à cor da pele, à raça, à religião, olham à pessoa, é a nossa missão. O refugiado, o outro que vem bater à nossa porta é uma pessoa, humana, que tem a mesma dignidade que nós", rematou, referindo que esta peregrinação em Fátima "serve para nos educarmos nestes valores cristãos".

O reitor do santuário, padre Carlos Cabecinhas, revelou que o santuário acolheu "uma família numerosa" que está a ser acompanhada por uma equipa técnica especializada e a quem estão a ser dadas condições materiais de vida, de educação e aprendizagem da língua portuguesa.

"A experiência tem sido positiva e tem havido um esforço de cada uma das partes", disse Cabecinhas, que se escusou a dar, evocando "razões de privacidade", a nacionalidade da "numerosa família" acolhida.

O bispo reconheceu que "ainda temos poucos [refugiados] cá" em Portugal, mas "somos confrontados em muitas partes deste mundo global com este fenómeno e somos desafiados a ver neles realmente esses rostos de misericórdia que Deus tem para connosco".

Eugénia Quaresma, da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OPCM), disse que é necessário "desconstruir mitos" e defendeu "o diálogo intercultural e inter-religioso, o diálogo com a sociedade civil e com os políticos".

A responsável citou o exemplo da Virgem Maria, "que procurou discernir", afirmando que "nós hoje temos de fazer o mesmo discernimento, face a uma realidade assustadora que nos quer aprisionar no medo"

"A resposta continua a ser a mesma: fazer o bem sem olhar a quem e com coragem, que não é ausência de medo. É preciso continuar a reconhecer o rosto humano dos refugiados, dos imigrantes, dos emigrantes que estão lá fora e que não estão cá [em Portugal], no mês de agosto".

Eugénia Quaresma defendeu a necessidade de "desconstruir mitos [num processo que] nos ajude a perceber as manipulações políticas a que estamos sujeitos - políticas e não só".

"A educação, a formação e a misericórdia são os melhores instrumentos ao serviço da construção da família humana. A afirmação dos valores humano-cristãos nas nossas comunidades é o caminho que temos de percorrer", argumentou a responsável, segundo a qual "a cooperação e o trabalho em rede é o caminho a seguir na Pastoral das Migrações, e é o caminho a seguir na política migratória na União Europeia".

"Somos convidados a construir pontes e a aprender uns com os outros", rematou.

Lusa

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