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Praias do estuário do Tejo ainda não estão aptas para banhos

​A Associação Nacional de Conservação da Natureza - Quercus afirma que, apesar do aumento da procura pelas praias do estuário do Tejo na margem sul, estas águas ainda não têm qualidade para serem aptas para banhos, podendo ser prejudiciais à saúde.

"Penso que sempre houve vontade e sempre houve pessoas que fizeram praia nestas zonas, apesar de a qualidade da água nunca ter estado em condições" adequadas às exigências legais, disse à agência Lusa a especialista Sandra Pereira, da Quercus.

Segundo a representante, "houve apenas um ano em que foi dada qualidade de água suficiente para ser uma zona balnear", isto na praia da Ponta dos Corvos, no Seixal, mas a atribuição feita em 2013 "foi retirada já no início deste ano porque a água não apresenta qualidade".

"É uma praia, mas não está apta para zona balnear", frisou, referindo que, mesmo sem a indústria pesada na região, continuam a existir descargas ilegais e problemas no saneamento.

"As pessoas acabam por estar a banhar-se em águas que estão infetadas por micro-organismos que são prejudiciais à nossa saúde, é uma questão de saúde pública", disse Sandra Pereira, defendendo a colocação de "placas com bastante definição do que está bem e do que está mal".

A representante notou também a necessidade de os municípios continuarem a monitorizar as águas, cuja qualidade deve ser melhorada, assim como "todas as infraestruturas na envolvente da praia".

"Não é só a água, é também a qualidade da areia, do espaço, as infraestruturas oferecidas, parque de estacionamento, zonas para as pessoas estarem", assinalou.

Para o concelho do Seixal, a atribuição, entretanto retirada, à praia da Ponta dos Corvos "foi uma novidade" que provocou "um crescendo de procura", contou à Lusa o presidente do município, Joaquim Santos (CDU).

No próximo mandato, o responsável quer dinamizar ainda mais a zona: "Pensamos que esta praia poderá constituir-se como um futuro centro de desportos náuticos, com um apoio em termos de um possível 'eco-resort'".

Em fase de licenciamento ambiental está já um hotel de luxo na reserva ecológica junto à praia, onde funcionava a Fábrica da Seca do Bacalhau, no âmbito da qual haverá "o mínimo de intrusão no solo", garantiu.

Também junto à praia dos Moinhos, em Alcochete, está a surgir um empreendimento turístico com hotel e aparthotel.

Segundo o vereador das Águas e Saneamento da Câmara de Alcochete, Jorge Giro (CDU), esta infraestrutura vai "permitir que essa lacuna que ainda existe seja colmatada".

"Nós temos muitos visitantes, mas não temos ainda muitos sítios onde as pessoas possam fazer turismo, pernoitar e estar aqui uma semana", apontou.

Recusando eventuais efeitos negativos do turismo, o autarca assegurou que "isto é uma coisa sustentada e devidamente controlada", já que não se pretende "descaracterizar Alcochete".

Por seu lado, o presidente do município da Moita, Rui Garcia (CDU), sustentou que "não é desejável" que sejam criadas infraestruturas na praia do Rosário, a única do concelho, por poderem colocar "em causa a sua própria sobrevivência".

"Como está, com este aspeto natural e com os serviços de apoio indispensáveis [bar, restaurante, posto de socorro, parque de merendas e estacionamento], pensamos que está bem", concluiu.

A estes três concelhos do distrito de Setúbal é comum a ambição de terem praias aptas para banhos.

Porém, segundo Sandra Pereira, "as zonas estuarinas ou de transição sofrem sempre influência do rio, do que se passa acima da foz, e sofrem também influência da orla costeira marítima, portanto é sempre um bocadinho mais difícil de se conseguir parâmetros mais estáveis".

Lusa

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