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Número de sismos sentidos nos Açores acima do habitual

© David Moir / Reuters

A presidente do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), Teresa Ferreira, disse hoje que o número de sismos sentidos na região na última quinzena está acima do que é habitual, mas "é expectável que aconteça".

Desde a última quinzena de agosto, vários sismos têm sido sentidos pela população, nomeadamente nas ilhas do Faial e Terceira, do grupo central, e São Miguel, no grupo oriental do arquipélago.

A presidente do CIVISA explicou que, "como é do conhecimento, o arquipélago dos Açores, principalmente as ilhas dos grupos central e oriental, situam-se numa estrutura geológica que define a fronteira entre as placas eurasiática e africana", onde "se vão acumulando tensões devido à movimentação diferencial que existe entre estas duas placas".

"A adicionar a este comportamento geológico, na região temos processos magmáticos que são responsáveis, de tempos a tempos, por erupções vulcânicas no arquipélago", referiu.

Segundo Teresa Ferreira, "tem-se assistido, a partir de julho, a um aumento da sismicidade que é fruto da interação destes dois processos geológicos referidos".

"E, desde o final do mês de agosto, assistiu-se a um incremento no número de eventos que, quando têm uma magnitude um pouco superior ou se situam mais próximo de zonas habitadas, acabam por ser sentidos pela população", declarou.

Teresa Ferreira exemplificou que a oeste da ilha do Faial "dois eventos foram sentidos porque tiveram uma magnitude um pouco superior ao normal", enquanto na Terceira e São Miguel, apesar da magnitude baixa, "os epicentros dos sismos ocorreram a escassos quilómetros do litoral", respetivamente na Praia da Vitória e Povoação.

"Mas registamos, ao longo do dia, sismos de idêntica magnitude, mas cujos epicentros são mais distantes do litoral e a população não os sente", declarou.

Sobre o sismo de segunda-feira, com magnitude 3,2 na escala de Richter sentido no concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a responsável esclareceu que teve origem na Fossa Hirondelle, uma depressão submarina situada entre São Miguel e Terceira, zona onde se regista frequentemente sismicidade.

"Este incremento da atividade sísmica é um processo natural de libertação de energia que não é regular no tempo e estamos a atravessar um período de ligeiro aumento dessa libertação de energia", adiantou a responsável.

Teresa Ferreira salientou que "os incrementos de sismicidade que se têm verificado nas várias zonas do arquipélago dos Açores têm sido comunicados à Proteção Civil e, por sua vez, à população, mantendo o CIVISA o acompanhamento permanente desta situação, dado que se trata de uma região que é ativa do ponto de visto sísmico e vulcânico".

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