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Torá com mais de 400 anos descoberta na Covilhã

A Câmara da Covilhã anunciou esta quinta-feira que foi descoberta naquela cidade uma Torá (documento judaico) com mais de 400 anos, em muito bom estado de conservação.

"Estamos a falar de um documento muito, muito raro, podemos mesmo dizer que é uma joia da cultura portuguesa e da história sefardita mundial e portanto entendemos que é da maior importância darmos a conhecer esse documento", disse o presidente da Câmara Municipal, Vítor Pereira, em conferência de imprensa.

O autarca explicou que este documento foi encontrado há cerca de 10 anos, durante a demolição de um edifício no centro da cidade, mas, na altura, o empreiteiro não terá tido consciência da importância do achado, limitando-se a guardá-lo.

"Enrolou-o num lençol e num plástico e assim o guardou durante estes 10 anos", acrescentou.

Ao tomarem conhecimento deste episódio, os técnicos do departamento da Cultural da Câmara foram analisar o achado, tendo encontrado um "pergaminho com 30 metros de comprimento, 60 de altura, provavelmente escrito com tinta ferrogálica e com suporte de apoio em rolos de madeira".

Uma peça única, que está em muito bom estado de conservação e cuja autenticidade foi confirmada por Javier Castaño, professor e investigador no departamento e Estudos Judaicos e Culturais do Mediterrâneo e do Oriente Próximo.

"Segundo nos referiu, esta peça terá mais de 400 anos e terá sido escrita no período filipino, dos cristãos-novos, quando o culto da religião judaica era proibido em Portugal, mas mantido dentro de portas e no segredo da família", especificou Vítor Pereira.

O autarca lembrou ainda que esta descoberta é mais um elemento que confirma a importância que o judaísmo teve neste concelho, bem como da existência de uma judiaria na cidade.

No que concerne à preservação do documento, especificou que foi realizado um protocolo com o empreiteiro no sentido de que seja a autarquia a guardá-lo e a conservá-lo, ainda que a posse continue a ser de quem o encontrou.

Para já, esta Torá com mais de 400 anos será exposta ao público em geral entre o dia 23 e o final do mês, no edifício dos Paços do Concelho, no âmbito das Jornadas Europeias do Património.

Depois disso, é intenção do município continuar a "aprofundar a análise" do documento, de forma a recolher mais informação e obter dados científicos e históricos sobre o mesmo.

"Sensibilizaremos o Ministério da Cultura para a importância deste documento e vamos tentar que ele fique disponível para os cientistas e historiadores poderem analisar e apreciar, sendo certo que não pode ser manuseado para que continuemos a garantir a sua preservação", explicou.

Relativamente às Jornadas Europeia do Património, a iniciativa arranca dia 22, às 22:00, no salão Nobre dos Paços do Concelho, com a apresentação do Fundo Fotográfico Antigo do Arquivo Municipal, seguindo-se no dia 02, às 10:30, um momento musical e a apresentação do memorial às vítimas da Inquisição, naturais e residentes no concelho acusadas de judaísmo. Segue-se, às 11:00, a apresentação da Torá.

Lusa

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