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PSD diz que mais ciclovias "é ofensivo" para os lisboetas

O vereador do PSD na Câmara de Lisboa António Prôa considerou esta quinta-feira que o anúncio de mais 150 quilómetros de ciclovias na cidade "é ofensivo" para os lisboetas e "em nada contribui" para resolver os problemas de mobilidade.

"O anúncio do investimento em 150 quilómetros de ciclovias é ofensivo para a maioria dos lisboetas que diariamente sofrem com o trânsito que se agrava, com os transportes que não têm e com as intervenções precipitadas na cidade com que são confrontados", refere António Prôa numa nota enviada à agência Lusa.

Na terça-feira, o vereador da Estrutura Verde da Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, anunciou que Lisboa vai contar com mais 150 quilómetros de ciclovias, que irão "atravessar a cidade toda, transversalmente", e que devem estar disponíveis até 2018.

Para o PSD, as novas ciclovias "em nada contribuem para resolver os problemas de quem tem de se deslocar diariamente das zonas limítrofes para a cidade de Lisboa para trabalhar ou estudar, faça sol ou faça chuva".

Assim, António Prôa acusa a liderança do executivo municipal (de maioria socialista) de tratar a questão das ciclovias como "folclore", pois revela um "provincianismo de querer fazer igual ao estrangeiro, esquecendo as diferenças é preocupante e revela complexos não resolvidos".

Ressalvando que "as ciclovias podem e devem ser uma realidade", o social-democrata vinca que esta iniciativa "não pode servir para campanhas, para ficar bem na fotografia, quando não se resolvem problemas sérios de mobilidade na cidade, antes se agravam".

Assim, o autarca advoga que a despesa "será de muitos milhões de euros, que não poderão ser investidos para resolver os problemas do trânsito cada dia mais caótico na cidade de Lisboa".

Aquando do anúncio desta medida, o vereador José Sá Fernandes afirmou que "no primeiro semestre de 2017 muita da rede principal estará concluída", admitindo que "algumas zonas poderão saltar para final de 2017 ou mesmo início de 2018".

Estes 150 quilómetros juntam-se aos 60 já existentes na cidade e abrangerão o eixo marginal, eixo Benfica-Braço de Prata, o Eixo Central (entre as avenidas Fontes Pereira de Melo e da República), Olivais, a circular exterior do concelho e, ainda, o eixo Alcântara-Luz.

Esta "rede principal será complementada com uma rede secundária", apontou o responsável, acrescentando que o objetivo é "unir a cidade inteira", visto que a rede será conjugada com "zonas 30, permitindo a coexistência da bicicleta com o carro".

"Os anúncios efetuados pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa na área da mobilidade são incoerentes relativamente à prática da maioria que governa a Câmara", continua Prôa, considerando que "a única ação concretizada por esta maioria em matéria de circulação viária foi a desastrosa intervenção na rotunda do Marquês de Pombal e Avenida da Liberdade, que provocou o agravamento do tráfego naquela zona".

Prôa acusa o município de "não fazer a sua obrigação e não resolver problemas com os meios de que dispõe", nomeadamente através da fiscalização de cargas e descargas, evitando estacionamentos em segunda fila, aumentando a extensão das faixas BUS ou fiscalizando as zonas de emissões reduzidas.

Lusa

  • Da minha janela, Lisboa