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Arqueólogos encontram sepulturas e ossadas em São Pedro de Sintra

Escavações arqueológicas no âmbito da empreitada de remodelação do saneamento básico em São Pedro, Sintra, levaram à descoberta de duas sepulturas, junto ao campo do 1º de Dezembro, e de ossadas no largo da igreja, informaram fontes da autarquia.

"Na Avenida Conde de Sucena encontrámos duas sepulturas, ao pé do 1.º de Dezembro, que foi de imediato comunicado à Direção-geral do Património Cultural [DGPC], e agora vamos alargar a escavação, para ver o interesse arqueológico dos achados", explicou à Lusa Guadalupe Gonçalves.

A diretora-delegada dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Sintra acrescentou que a descoberta ocorreu no âmbito do acompanhamento arqueológico da empreitada de remodelação de redes de água e saneamento de São Pedro.

"Esta descoberta ainda não colide com a nossa obra, porque estamos a colocar o coletor pluvial, que anda mais fundo e tem maior diâmetro, e vai continuar tudo em paralelo", esclareceu a dirigente dos SMAS.

Segundo Teresa Simões, coordenadora técnica do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas (MASMO), a descoberta das duas campas, hoje de manhã, "apontam para a comprovação da existência de sepulturas junto ao túmulo dos dois irmãos, numa área que se pensava que correspondesse à necrópole da antiga leprosaria de Sintra".

"As sepulturas foram encontradas mais ou menos no meio da estrada, afetadas por um encanamento antigo, porque naturalmente a estrada envolveu ao longo dos anos muitas intervenções e infraestruturas", adiantou a técnica do museu municipal.

Os vestígios arqueológicos agora encontrados deverão servir para fornecer mais informação sobre o antigo cemitério, do qual também faria parte o denominado túmulo dos dois irmãos, monumento assinalado junto à estrada que liga o Ramalhão a São Pedro de Penaferrim.

"Poderá haver mais [sepulturas], não sabemos qual é o grau de destruição do subsolo naquela zona, por ser uma zona de leito de estrada e o que ali se vai escavar tem a ver com o impacto da obra, no âmbito da implantação da conduta dos SMAS", esclareceu Teresa Simões.

A descoberta, efetuada pelos arqueólogos contratados no âmbito do acompanhamento das obras, vai ser objeto de uma escavação exaustiva, com a participação de um antropólogo, e os vestígios serão levantados após o seu registo.

No âmbito da mesma empreitada, lançada pela Câmara de Sintra por cerca de 4,7 milhões de euros, decorrem também sondagens arqueológicas no largo da igreja de São Pedro, por determinação da DGPC.

"O adro da igreja de São Pedro terá sido utilizado como cemitério entre os séculos XIV/XV e o século XIX, altura em que [a prática de enterramento] foi deslocada do local", revelou Teresa Simões, acrescentando que, através de uma sondagem, foi encontrada "uma estrutura, que tem de ser estudada, caracterizada e datada".

A coordenadora do MASMO salientou que "foram encontrados ossos removidos, misturados com outros materiais, como telhas, dando a impressão que houve ali alterações no subsolo, o que também não é de espantar atendendo à situação em pleno tecido urbano de São Pedro".

"É uma área de enorme sensibilidade arqueológica, porque corresponde ao núcleo antigo de povoamento de Sintra", vincou Teresa Simões, notando que as sondagens vão prosseguir para avaliar a possibilidade de se encontrarem mais vestígios.

A diretora delegada dos SMAS sublinhou, por seu lado, que a empreitada de remodelação das redes de abastecimento de água e de águas residuais domésticas e pluviais vai decorrer até 2018 e que a intervenção na Avenida Conde Sucena, entretanto cortada ao trânsito, deverá ficar concluída até ao final do ano.

Lusa

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