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Marcelo à SIC: a entrevista completa

Entrevista na íntegra

Marcelo à SIC: a entrevista completa

O Presidente da República defende a descida da Taxa Social Única para as empresas como sinal para o investimento e não dá a medida por vencida. Em entrevista exclusiva à SIC, Marcelo Rebelo de Sousa falou sobre impasses e consensos, economia e banca. E da vida solitária de Belém.

Sobre a polémica descida da TSU para as empresas, medida que vai ser debatida no Parlamento quarta-feira, o Presidente sublinha a “importância da Concertação Social” e que “devia haver um acordo sobre esta matéria e até mais amplo”, a médio prazo.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou a duvidar do acordo e louva “a boa vontade daqueles cinco parceiros”. Concorda com a medida, que “é um sinal em termos de investimento privado”, importante para o crescimento da economia.

Medida que não dá por derrotada, apesar do chumbo anunciado pelo Bloco, PCP e PSD: “vamos esperar para ver o processo até ao fim”, aconselha, criticando “mania portuguesa” de “comentar os factos enquanto a procissão vai no adro”.

“Para um Presidente da República é muito importante que o Governo seja forte”, diz Marcelo, que reitera que “não se pode partir do princípio que há impasses sistemáticos na política portuguesa”.

Até porque, frisa, existem consensos em matéria de política externa, de defesa e até na política de saúde - excepto na questão das Parcerias Público-Privadas.

“Vale a pena esperar pelos números de 2016”

Quanto ao estado da economia portuguesa, considera que há crescimento, mas pouco. E por isso diz que “vale a pena esperar pelos números de 2016” - “mais umas três semanas” - para fazer uma reflexão sobre o “caminho alternativo” desta “formação governamental”, como aliás já tinha comentado na mensagem de Ano Novo.

O Presidente considera a polémica da Caixa Geral de Depósitos mais que ultrapassada. Houve “ruído”, admite a propósito das declarações de rendimentos, que nunca foi uma questão para ele nem para o primeiro ministro: “falámos várias vezes sobre isso”.

Quanto ao processo de venda do Novo Banco, concorda que “não se pode partir” a instituição e que “não há como estragar o processo de défice excessivo”. Por outro lado, “deve sacrificar o mínimo possível os outros bancos”. Acredita que “há vários caminhos possíveis” e espera pela decisão do Banco de Portugal.

“Populismos alimentam-se de causas de insatisfação”

Sobre a sua relação de amizade com Ricardo Salgado, entende que se necessário, as funções de Presidente se sobrepõem e são prioritárias.

“Os chamados populismos alimentam-se de causas de insatisfação”, como a crise ou os exemplos dados pelos políticos. Aí, “a justiça é uma peça chave”, que deve garantir a transparência da política - e só o pode fazer “se for uma justiça rápida”.

“Quando se chega a Presidente da República, é uma vida muito solitária”

O autodemonimado “Presidente hiperativo” não teme que as pessoas se cansem de si. Entende que é necessário o “esclarecimento da opinião pública” e que “as pessoas querem tentar compreender”. Mais, para “prevenir conflitos”, “foi importante intervir muito”.

Marcelo admite que “quando se chega a Presidente da República, é uma vida muito solitária”. Tem vida para além das funções? “Entao não tenho!”. Garante que mantém vida familiar, continua a ir nadar ou a ir à mesma mercearia, igual a si próprio.

A terminar a entrevista, o Presidente deixa uma promessa: até setembro de 2020 decide se se candidata a um segundo mandato.

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