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O país que decida. Marcelo falou demais?

MIGUEL A. LOPES

Não é a primeira vez que as declarações do Presidente da República geram controvérsia. Marcelo anunciou a decisão da Fitch sobre Portugal antes mesmo da agência se pronunciar. A discussão ferve nas redes sociais.

Marcelo quis ser ele a anunciar ao país as "boas notícias": a manutenção do 'rating' pela agência Fitch.O problema é que falou furando todas as regras: antes da própria agência de notação se pronunciar e numa altura em que os mercados ainda estavam a funcionar. Razões suficientes para se instalar a polémica.

No Twitter por exemplo são várias as críticas a actuação/declaração do Presidente. Em mútiplos tweets questiona-se em que qualidade estava Marcelo a falar: como chefe de Estado, ex-comentador político ou "amigo" do Governo?

A correspondente do Wall Street Journal em Lisboa foi das primeiras a pronunciar-se no Twitter sobre o assunto. A sua estranheza é óbvia: "Presidente português diz que a Fitch mantém o rating, antes do anúncio da agência e enquanto os mercados ainda estão abertos". No mesmo sentido, o comentador Pedro Adão e Silva escreve na mesma rede social que "este anúncio prematuro do rating da Fitch vai fazer companhia à ida à Cornucópia no ranking de momentos baixos de Marcelo". E até há quem sugira que "com o Marcelo a substituir-se à LUSA", o Estado "vai poupar".

Pelo contrário, em defesa do PR, foi criada um claim: "Marcelo é fitch". O embaixador Francisco Seixas da Costa é um dos que sublinha o apoio à intervenção presidencial. Num tweet que foi partilhado pela eurodeputada Ana Gomes, Seixas da Costa usa da ironia ao escrever que "a Fitch, um conhecido cúmplice esquerdalho da Geringonça" tomou uma decisão que estraga o fim de semana a "uma certa direita".

Nem de propósito, no blog de direita "Blasfémias" não se poupam nas palavras, ou melhor nas críticas. Marcelo é apelidado de "incontinente". No texto assinado por "rui a." escreve-se que "não se consegue perceber se, nesta notícia sobre a manutenção do raiting da dívida portuguesa pela Fitch, Marcelo Rebelo de Sousa age como representante da agência, que não nos parece que seja, se como porta-voz do governo, o que julgamos que ainda não é, ou se como fazedor de factos políticos, que pensávamos que já não era. Como Presidente da República é que seguramente não foi."

O país que decida: Marcelo falou demais? Não foi a primeira vez e certamente não será a última.

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