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O tema da avaliação de professores terminou

Em setembro de 2014, Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação entre 2005 e 2009, foi condenada a três anos e seis meses de pena suspensa, por prevaricação de titular de cargo político. (Arquivo)

LUSA

A ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues afirmou esta sexta-feira que o tema da avaliação de professores terminou, reconhecendo que o modelo que tentou impor aos professores foi "mal sucedido" e falhou.

"Ao longo do percurso foi um projeto mal sucedido, sem êxito", disse a ex-ministra aos jornalistas no final de uma conferência organizada em Lisboa, pela Fundação Francisco Manuel dos Santos para analisar os resultados do PISA 2015, o último relatório do programa internacional de avaliação de alunos da OCDE.

Para Maria de Lurdes Rodrigues a pergunta que se deve colocar agora é se devem ser encontrados outros instrumentos para melhorar a qualidade do sistema.

"Os resultados mostram que conseguimos melhorar em todos os níveis, apesar de não termos conseguido fazer a avaliação", dos professores, reconhecendo responsabilidades no clima de "crispação" que a discussão motivou na altura.

"Se o tema ficou 'tabu' no debate político, e não rejeito responsabilidades, é nosso dever arranjar outros instrumentos que nos permitam melhorar o trabalho dos professores", disse a ex-titular da pasta da educação, admitindo que ao fim de 10 anos é possível fazer uma leitura diferente.

"Olhamos para trás e é um grande conforto ver que melhorámos os resultados, e que a avaliação, mesmo não tendo sido concretizada, afinal revela-se um instrumento que pode ser substituído por outros instrumentos", afirmou, defendendo que os governantes devem fazer estas leituras.

O ex-ministro Nuno Crato, que concretizou um dos instrumentos de avaliação de professores idealizada pelo Governo socialista de José Sócrates -- a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) -- insistiu na necessidade de haver um modelo que permita recrutar os melhores professores para as escolas públicas.

"Nos próximos cinco/dez anos vai haver uma grande mudança no corpo docente", disse Crato, sublinhando que a idade média atual é bastante elevada e que a substituição destes professores é "a questão central" que vai colocar-se na educação.

"Quais vão ser os professores que vão entrar nas nossas escolas? Será que vão ser tão bons como os que estão agora a reformar-se?", questionou Nuno Crato.

A ex-ministra Maria do Carmo Seabra afirmou ter "muita pena" que a PACC tenha sido suspensa.

"Penso que foi uma grande conquista, e foi um processo político tão doloroso que acho que foi uma perda grande para o país que tenha sido eliminada. Espero que isso possa ser revertido", disse.

Lusa

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