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Marcelo 2017 vs. Marcelo 2018: do “ano da gestão a prazo“ ao ”ano da reinvenção”

RUI OCHOA

Marcelo mudou muita coisa na sua segunda mensagem de Ano Novo, mas manteve o essencial na forma. Foi mais duro no balanço – “se o ano tivesse terminado a 16 de Junho…” -, mas conciliador no tom das metas traçadas para o ano que agora começa. Há um ano quis que 2017 fosse o “ano da gestão a prazo”, agora quer que 2018 seja “o ano da reinvenção” e deixa o aviso sobre as missões do Estado, que não podem falhar.

Há um ano foi no Palácio de Belém, numa mensagem gravada, com pouco mais de sete minutos; agora, foi em casa, numa mensagem em direto, com mais ou menos os mesmos sete minutos.

A mensagem do primeiro dia de 2017 foi claramente positiva. “Tudo visto e somado, o balaço foi positivo. Entrámos em 2016 a temer o pior, saímos a acreditar que somos capazes do melhor”. Essa primeira mensagem de Ano Novo do Presidente Marcelo só ficou para a história pela tranquilidade transmitida. O ano anterior tinha sido de enorme novidade política, de quase sanções de Bruxelas, de fio da navalha. Mas no fim, com dois Orçamentos cumpridos e a sombra de Bruxelas menos carregada, nada tinha saído dos eixos.

“2016 foi o ano da gestão do imediato, 2017 tem que ser o ano da gestão a prazo”. Foi com esta simples frase de balanço e metas, que Marcelo resumiu a sua mensagem de há um ano.

Agora surge uma outra ideia, a da reinvenção: “O ano que ora começa tem de ser, pois, o ano dessa reinvenção”, afirmou o Presidente, acrescentando que essa reinvenção “é mais do que mera reconstrução material e espiritual, aliás, logo iniciada pelas mãos de muitos – vítimas, Governo, autarquias locais, instituições sociais e privadas e anónimos portugueses”. É também “reinvenção pela redescoberta desse, ou talvez mesmo desses vários Portugais, esquecidos, porque distantes, dos que, habitualmente, decidem, pelo voto, os destinos de todos”.

O tom do discurso muda, apesar de conciliador e esperançado, quando cruza as datas de 16 de junho e 15 de outubro, dias de enormes tragédias florestais que somaram mais de cem vítimas mortais. Essa é a grande mudança da segunda mensagem. “O passado – bem recente – serve para apelar a que, no que falhou em 2017, se demonstre o mesmo empenho revelado no que nele conheceu êxito. Exigindo a coragem de reinventarmos o futuro”.

O Presidente deixa o aviso: temos todos que ter a certeza de que ”nos momentos críticos as missões do Estado não falham”. Essa exigência vai marcar todo o ano político e definir o futuro da relação entre Marcelo e o governo.

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